<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Moser's Weblog</title>
	<atom:link href="http://danmoser.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://danmoser.wordpress.com</link>
	<description>Just another WordPress.com weblog</description>
	<lastBuildDate>Wed, 27 Jul 2011 20:13:33 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='danmoser.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://s2.wp.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>Moser's Weblog</title>
		<link>http://danmoser.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://danmoser.wordpress.com/osd.xml" title="Moser&#039;s Weblog" />
	<atom:link rel='hub' href='http://danmoser.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>Os Seres, a Vida e a Sociedade</title>
		<link>http://danmoser.wordpress.com/2011/04/17/os-seres-a-vida-e-a-sociedade/</link>
		<comments>http://danmoser.wordpress.com/2011/04/17/os-seres-a-vida-e-a-sociedade/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 17 Apr 2011 05:09:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danmoser</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danmoser.wordpress.com/?p=91</guid>
		<description><![CDATA[Cada ser traz em si um conjunto único de características, que  traduzem-se em potencialidades. Isto é o que nos define. Felizes daqueles que transformam estas potências em qualidades. Esta deveria ser a sociedade.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=91&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cada ser traz em si um conjunto único de características, que traduzem-se em potencialidades. Isto é o que nos define.</p>
<p>Felizes daqueles que transformam estas potências em qualidades. Isto deveria ser sociedade.</p>
<p><span id="more-91"></span>Por alguma razão, a mãe natureza não nos gerou para uma vida solitária. Somos seres que buscam em seus semelhantes os caracteres e questões com que nos confrontamos diariamente. Temos necessidade de algo que está além de nós, mas que já está em todos nós.  Precisamos de confirmações, direções, cooperações.</p>
<p>As experiências repetidas e a razão nos permitem prever e construir as ferramentas para o domínio e integração com a natureza. Por que ainda não nos dedicamos a esta nobre finalidade?</p>
<p>Nossos sonhos quebram a barreira do usual e imediato.</p>
<p>Quão triste é ver que vivemos hoje pelo que temos e não pelo que somos. Vivemos de aparências? Por que ainda nos importamos com a opinião de pessoas que apenas nos conhecem superficialmente? Pessoas que nos julgam pelo que ostentamos, e não o que realizamos com os recursos que dispomos? Porque ainda nos deixamos levar pelo que temos agora e não pelo que podemos ter amanhã?</p>
<p>Por que dividir e equilibradamente juntar é tão mais difícil que caçar e defender?</p>
<p>Como tudo isso me machuca. Afinal, estamos todos no mesmo barco. E ainda nos vemos tão distantes.</p>
<p>Iniciamos nossa experiência da união de dois seres. Somos manisfestações puras desta busca: a busca de algo que parcialmente está em todos, mas que na verdade está além de nós&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danmoser.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danmoser.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danmoser.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danmoser.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/danmoser.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/danmoser.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/danmoser.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/danmoser.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danmoser.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danmoser.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danmoser.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danmoser.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danmoser.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danmoser.wordpress.com/91/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=91&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-like-enabled"></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://danmoser.wordpress.com/2011/04/17/os-seres-a-vida-e-a-sociedade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/20fe7ff68a7039879eebe1c30ffb224f?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">danmoser</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Aplicativos Android em meu Defy 2.2.1 froyo</title>
		<link>http://danmoser.wordpress.com/2011/04/17/aplicativos-android-em-meu-defy-2-2-1-froyo/</link>
		<comments>http://danmoser.wordpress.com/2011/04/17/aplicativos-android-em-meu-defy-2-2-1-froyo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 17 Apr 2011 03:16:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danmoser</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[android]]></category>
		<category><![CDATA[claro]]></category>
		<category><![CDATA[defy]]></category>
		<category><![CDATA[froyo]]></category>
		<category><![CDATA[motorola]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danmoser.wordpress.com/?p=87</guid>
		<description><![CDATA[O uso de smartphones é capaz de integrar excelentes recursos e que estão, literalmente, sempre à mão. Colhi muitas informações bacanas pela net para meu Motorola Defy da Claro e gostaria de sintetiza-las aqui. Espero ajudar!<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=87&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Testes de Aplicativos</strong><br />
Nota inicial: o Android já contém muitos aplicativos dos serviços Google, além dos do próprio fabricante do aparelho. Nas minhas atividades, muitos atendem à tudo que preciso, e não procurei alternativas. Os que mais utilizo são o GMail (com contatos) e o GoogleAgenda.</p>
<p><em>Aplicativos Muito Interessantes</em><br />
+ Google Sky Map<br />
+ Skype<br />
+ Seesmic<br />
+ 3G Watchdog<br />
+ BB Aplicativo<br />
+ AK Notepad<br />
+ QualOperadora<br />
+ Unlock With Wifi<br />
+ StreamFurious<br />
+ Firefox 4 (com Sync)<br />
+ Linda File Manager / ES Explorador de Arquivos<br />
+ Andoku<br />
+ MapDroyd<br />
+ APNdroid</p>
<p><em>Aplicativos intermediários</em><br />
* FourSquare<br />
* AndroZip<br />
* Angry Birds<br />
* Fring / IM+ / eBuddy / MeeboIM<br />
* Waze</p>
<p><em>Péssimos aplicativos</em><br />
- WinAmp<br />
- Aura Sygic</p>
<p><span id="more-87"></span><br />
<strong>Sobre Navegadores GPS</strong>:<br />
O sinal GPS do aparelho é muito bom, e na maioria dos aplicativos localiza-se muito rapidamente. Recomendo:<br />
+ MotoNav<br />
+ iGo ; Primeiro, certifique-se que seja a versão iGo do Android. Depois, muita atenção à resolução da versão. Os Defy (e Milestone), são 854&#215;480 (ou 480*854). Muitos iGo são de menor resolução, com muitos em 800&#215;480. Nestes casos, parte da tela não será utilizada pelo navegador, permanecendo apagada.<br />
+ GoogleMaps ; Requer acesso à dados, portanto não funciona nos locais onde não há antenas e no exterior.</p>
<p><em>Sobre os mapas do MotoNav / iGo</em><br />
* Testei 2 mapas para o MotoNav (e que são compatíveis com o iGo): TeleAtlas e NavTek Q4, ambos de Janeiro de 2011.<br />
O Mapa NavTeq é muito melhor, traçando rotas muito mais fáceis e rápidas que o outro em São Paulo. Além disso, o NavTeq é o único que possui o mapeamento das ruas das cidades do Médio Vale do Itajaí em Santa Catarina!<br />
A vantagem que vi no TeleAtlas é o registro do limite de velocidade das vias&#8230;</p>
<p><!--more--><br />
<strong>Questões específicas do</strong> <em><strong>Defy</strong></em> <strong>2.2.1 <em>da Claro</em></strong>:<br />
- A conexão 3G de dados para celular é MUITO RUIM. Muito mesmo! Mesmo sempre o indicador de sinal marcar na maioria dos locais &#8220;H&#8221;. Velocidade típica de download: 15kB ou 120kpbs.<br />
- O serviço de Tethering é sim nativo! Mas, sabe-se lá o porquê, não está junto com as informações Rede (Wifi). No menu principal, está como &#8220;Ponto de rede 3G&#8221;. Gastei muito tempo tentando instalar um tethering alternativo.</p>
<p><!--more--><br />
<strong>Saiba tudo sobre o Android e seu aparelho</strong> pelo XDA:<br />
www.xda-developers.com</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danmoser.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danmoser.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danmoser.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danmoser.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/danmoser.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/danmoser.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/danmoser.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/danmoser.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danmoser.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danmoser.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danmoser.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danmoser.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danmoser.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danmoser.wordpress.com/87/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=87&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-like-enabled"></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://danmoser.wordpress.com/2011/04/17/aplicativos-android-em-meu-defy-2-2-1-froyo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/20fe7ff68a7039879eebe1c30ffb224f?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">danmoser</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Filósofo Michel Serres no Roda Viva</title>
		<link>http://danmoser.wordpress.com/2010/11/25/filosofo-michel-serres-no-roda-viva/</link>
		<comments>http://danmoser.wordpress.com/2010/11/25/filosofo-michel-serres-no-roda-viva/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 13:33:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danmoser</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Michel Serres]]></category>
		<category><![CDATA[miscigenação]]></category>
		<category><![CDATA[paz]]></category>
		<category><![CDATA[Roda Viva]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danmoser.wordpress.com/?p=81</guid>
		<description><![CDATA[Transcrição da entrevista do filósofo Michel Serres ao Programa Roda Viva.
<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=81&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>TV Cultura &#8211; 06 de Dezembro de 1999</strong><br />
<strong>Entrevista do filósofo Michel Serres ao Programa Roda Viva</strong><br />
<strong>Transcrição</strong></p>
<p><span id="more-81"></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><em>Paulo Markun</em></strong><em>: Boa Noite. </em></p>
<p>A trajetória intelectual e acadêmica do nosso convidado de hoje é absolutamente multidisciplinar. Filósofo, tem sólida formação em ciências exatas, como matemática e física. Uma formação que o ajudou a formular suas primeiras teses em ciências humanas. Michel Serres nasceu na França em 1930, é também historiador da ciência e epistemólogo, e seus trabalhos são tão variados quanto sua ampla formação. Escreveu sobre os contatos entre as ciências exatas (as ciências “duras”) e as ciências humanas e, sobre literatura, estética, antropologia, e as relações do homem com a natureza, alem de tratar também dos desafios da educação no mundo de hoje e de amanha.</p>
<p><em>Todos os trabalhos de Serres refletem preocupações com questões éticas suscitadas a partir das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Ele é um intelectual comprometido com o uso do saber e da comunicação na construção da paz. Michel Serres veio para São Paulo para participar do congresso internacional do desenvolvimento humano, na universidade de São Marcos. No centro Roda Viva esta noite, o filosofo francês Michel Serres.</em></p>
<p><em>Para entrevista-lo, nós convidamos: o coordenador do projeto “escola do futuro”, presidente da associação brasileira de educação a distancia e professor da Escola de comunicações e Artes da USP, Frederic Lito. O professor Norval Baitello Jr., diretor da Faculdade de Comunicação da PUC de São Paulo. O editor de cultura do jornal a Gazeta Mercantil e coordenador da revista Bravo, Daniel Piza. Scarlet Marton, professora de filosofia moderna e contemporânea da Universidade de São Paulo. O Antropólogo Edgar Assis Carvalho. A psicóloga Elivra Souza Lima, professora das Universidades de Nova York e Salamanca. E Rogério da Costa, professor do programa de pós-graduação em comunicação e semiótica da PUC de São Paulo. </em></p>
<p><em>O Roda Viva é transmitido em rede nacional para todos os estados brasileiros, e também para Brasília. E hoje evidentemente você não pode participar do programa porque ele foi gravado, está sendo gravado neste momento, exibido posteriormente, de modo a permitir a tradução e a legendagem das respostas do professor Serres. </em></p>
<p><em>Boa Noite professor. </em></p>
<p><strong>Serres</strong>: Boa Noite.</p>
<p><strong>Markun</strong>: Eu tomei contato superficial como todo jornalista costuma fazer com a obra do senhor, muito recentemente. Mas sei que, entre outras coisas que o senhor chegou a pensar e a escrever sobre o Brasil. Inclusive sobre, digamos, sobre este grande caldeirão de raças que é o nosso país. Eu sou um Markun, sobrenome de origem Iugoslava, mas não sei nem de que região da Iugoslávia veio meu sobrenome, pois sou como muitos daqui; se o senhor verificar, a maior parte dos nossos entrevistadores, tem nomes estrangeiros, mas somos todos brasileiros. Então, eu queria que o senhor definisse no que isso é bom ou ruim para o país, esse caldeirão cultural.</p>
<p><strong>Serres</strong>: Não pode ser ruim. Muito pelo contrario. Parece-me, de fato, que, hoje, o mundo está em pleno processo de mundialização, e este processo de globalização é acompanhado&#8230; e vocês sabem muito bem disto&#8230; de conflitos, guerras e oposições muito fortes entre diversas nações, entre diversas regiões e, há cerca de quinze anos, somos assolados por noticias cada vez mais trágicas.</p>
<p>Por que? Por que a globalização se opõe cada vez mais às pessoas, pois as fronteiras tornaram-se porosas. Quando lecionei, em 1973, na Universidade de São Paulo, no final de minha estadia, que foi muito feliz, fizeram-me exatamente esta mesma pergunta, “O que acha do Brasil?”. Respondi, e continuo pensando assim, que o Brasil antes de tudo, é um país muito grande, do ponto de vista de área, já que é um dos paises mais importantes do planeta. E, por ser o maior, ou um dos maiores, tem todos os problemas. Ou seja, é um modelo reduzido, absolutamente perfeito, do mundo atual. E, enquanto modelo reduzido, suporta quase todos os grandes problemas que o mundo inteiro está suportando. Mas&#8230;</p>
<p><strong><em>Markun</em></strong><em>: E pode suportar as mesmas soluções?</em></p>
<p><strong>Serres</strong>: Espere. Ele tem os mesmos problemas, do ponto de vista econômico, social, político, etc. Mas, há muito tempo, está pronto porque tem uma solução que, raramente, o resto do mundo pode ter. Por quê? Pelo motivo que citou com relação aos seus ancestrais. Seus ancestrais iugoslavos que andou esquecendo.</p>
<p>No Brasil, o que me encanta a minha volta, é que a maioria dos brasileiros tem uma genealogia totalmente cruzada, múltipla, complexa, extremamente rica e que, em seus corpos vivos, há muito tempo, eles atenuaram os conflitos de hoje.</p>
<p>Escrevi um livro, muitos mais tarde, que chamei “O Terceiro Instruído”, e foi traduzido por um belo título em Português onde aparece o adjetivo “mestiço”. E nesse livro, eu dizia, que todo processo de conhecimento é uma mestiçagem. Porque, quando falamos uma outra língua, e lamento muito não falar o Português, temos um outro corpo. Quando pensamos em outra ciência, entramos em outro ser humano. E, de tanto falar línguas diferentes, de tanto conhecer disciplinas diferentes, fabricamos em nós um mestiço intelectual. E há, no conhecimento mestiço, uma espécie de paz entre as disciplinas, uma espécie de armistício entre as oposições do saber.</p>
<p>É uma imagem intelectual do que acontece na vida real no Brasil. Vocês conseguiram tantas mestiçagens entre todas as populações do mundo porque, no Brasil, o mundo inteiro está representado: asiáticos, europeus, americanos, nativos da América, do Hemisfério Sul, etc. Portanto, vocês conseguiram tão bem, na paz, este tipo de mestiçagem, que creio que deveriam ter consciência de que tem o modelo das soluções requeridas hoje pelas guerras mundiais.</p>
<p><strong>Markun</strong>: Quando nós falamos em soluções e falamos em ciência, imediatamente se coloca a questão de que, e evidentemente isso também acontece na economia até na política, mas vamos focar na ciência, na questão dos modelos de primeiro mundo e do terceiro mundo. Aqui no Brasil hoje em dia a expressão “Isto é coisa de primeiro mundo” é algo que é dito com um enorme entusiasmo. Pode ser um copo d’água, pode ser um restaurante, pode ser um motel, ou pode ser um automóvel; ou uma tese de doutorado. Tudo que é “coisa de primeiro mundo”, é bom.</p>
<p>A pergunta que eu faço é: Como que estes mestiços que somos nós, que temos este potencial de desenvolver e achar uma solução para os grandes problemas que existem aqui, como lá fora inclusive, podemos almejar obter – não digo as formulas do primeiro mundo – mas as condições de produzir aqui as soluções nossas com recursos equivalentes, investimentos equivalentes, em termos de pessoas, de tempo e dinheiro, se nós somos efetivamente mestiços de terceiro mundo.</p>
<p><strong>Serres</strong>: Acho que a distinção que fazemos, há muito tempo, entre o primeiro e o terceiro mundo, por exemplo, é uma distinção que talvez esteja se apagando por causa do processo de globalização. E desejo que ela se apague. Porque, de certa forma, já que falou em saber, o saber já não tem mais fronteiras. Experimento, há muito tempo, em minha própria pele e em minha profissão, o fato de eu ter ensinado em quase todas as latitudes e longitudes, de eu ter me dirigido a populações de estudantes de todo tipo de cultura, e acho que hoje, com as novas tecnologias, das quais falaremos depois, a distinção entre os mundos vai se apagar, de certa forma.</p>
<p>Quando você fala em modelo de 1.o mundo e de nosso mundo, parece-me que faz parte de velhos conceitos de Historia Antiga. Algo está acontecendo hoje que torna esta fronteira porosa. E eu, que nasci naquele que é chamado de 1.o mundo, quando vou à África, percebo, muitas vezes, que temos tanto a aprender, em soluções humanas, em coisas que vejo na África, que hoje está em má situação econômica e sanitária, que temos muito mais a aprender do que pensamos. Em conseqüência, acho que essa distinção esta se apagando. E quero muito que isto ocorra. Provavelmente, a ajuda das novas tecnologias vai ser eficaz para que essa distinção se apague completamente.</p>
<p><strong>Baitello Jr</strong>.: Professor Serres&#8230; Esta verdade, realidade de que todos nós temos que aprender também com os pobres, também com o chamado terceiro mundo&#8230; Tem um filosofo alemão chamado “Fridjov Capra” que conhece o senhor, e talvez o senhor o conheça, e que tem vinculado hoje o conceito de ocidentação, ao invés de orientação. Enquanto o oriente era considerado o principio orientador, a própria palavra já mostra isso, Capra fala hoje de ocidentação.</p>
<p><em>Então, Talvez o modelo ou a meta não seja mais o oriente, talvez seja o ocidente. E ele vai um pouco mais longe, enquanto esta ocidentação durante um longo tempo foi considerada a Califórnia, ele diz que a ocidentação é São Paulo. Eu gostaria que o senhor falasse sobre o seu contato com são Paulo, com esta realidade tão complexa que o senhor já conhece a longos anos.</em></p>
<p><strong>Serres</strong>: Fico feliz ao ouvi-lo falar em orientação porque sou parte da minoria humana chamada “os canhotos”. E, quando eu era criança, ensinaram-me a escrever com a mão direita. Portanto, eu era canhoto e, no entanto, era obrigado a escrever com a direita. Acho que, hoje, os psicólogos não recomendam que se force a escrever com a direita. Acho que lamento um pouco isto. Porque, quando meu professor, já falecido, e o abençôo por ter feito isso, me ensinou a escrever com a mão direita, nem assim me tornou um destro.</p>
<p>Continuo a fazer gestos com a mão esquerda. Seguro a raquete com a esquerda para jogar tênis, seguro o martelo com a esquerda para martelar, mas escrevo com a direita. Por conseqüência, neste processo de aprender o outro lado, a orientação, como o senhor disse, a orientação fez com que eu fosse um corpo completo. Diziam, na Franca, que quem fosse forcado a escrever com a mão direita era um “canhoto contrariado”. Essa contrariedade nunca me fez sofrer Digo sempre canhoto completado. Isso é muito importante, por imagem, digamos assim.</p>
<p>Tudo no corpo é muito importante, porque permite entender que os que são só destros, ou só canhotos, os que têm corpos orientados, ou “ocidentados”, se quiser, são pessoas hemiplégicas, tem o corpo dividido em dois. Tem um corpo vivo e um corpo morto. Mas, quando aprendemos os dois lados, temos ambos os lados vivos. Portanto, estou apto para ensinar aos canhotos a fazer gestos com a direita e, alias, como complemento, para ensinar aos destros a fazer gestos com a esquerda.</p>
<p>Por que? Pelo seguinte. Isto lhes ensina que, em seu corpo, pode haver um outro. Ensina o altruísmo, ensina a tolerância. Ensina que, se diante de nos há alguém que pode ser um inimigo, podemos nos reconciliar, ser tolerantes com ele, entender seu ponto de vista. Entendo os destros porque escrevo com a direita, embora eu seja canhoto. Entende? E tenho a impressão de que, ao falar em orientação, ou “ocidentação”, é um pouco o mesmo problema. Eu transporia, no sentido social ou político, esta experiência fundamental do meu corpo.</p>
<p><strong>Scarlett</strong>: Mas eu pergunto, professor, se neste processo de globalização pela qual nós estamos passando, estamos testemunhando&#8230; Não está também havendo a imposição de uma única e mesma forma de pensar, sentir e viver? De sorte que, o outro com o qual eu tenho contato nada mais é do que a imagem que eu faço do outro, e que portanto é a minha própria.</p>
<p><strong>Serres</strong>: É verdade que muita gente teme a globalização na medida que tem-se a impressão de que uma só cultura ira dominar. E, de fato, hoje, estamos numa situação em que uma cultura domina. Talvez não por muito tempo, mas, por ora, é o que parece. Mas acho que posso tranqüiliza-la. Por que? Porque&#8230; Nós somos feitos assim. Criamos sempre diferenças. Suponhamos, cara amiga, que&#8230; mas pode acontecer que o mundo inteiro fale um única língua. Pois bem, esta única língua, quando falada em são Paulo, ao ser falada no Japão e ao ser falada em Paris, seria tão diferente, em sotaque, intenção, entonação e cultura geral, que, muito rapidamente, não seria mais a mesma.</p>
<p>Alias, alguns lingüistas acham que, na origem, graças aos computadores, pode-se obter esta hipótese, que talvez, na origem, houve uma única língua. Mas ela logo bifurcou numa arvore extremamente complexa de línguas diversas. Não tenho muito medo da globalização pelos seguintes motivos. O primeiro é que criamos diferenças e o segundo é que&#8230; eu tenho uma cultura. Eu cresci num pequeno vilarejo agrícola, no Sul da Franca, que tem seus costumes, sua cultura, etc.</p>
<p>Mas o que é um homem culto, em geral? É alguém que vai buscar a outra cultura, que vai procurar viajar, encontrar o outro e conhecer outras culturas. No fundo, ele está se globalizando um pouco. A palavra globalização tem seu lado positivo e negativo. Tem-se muito medo, mas ouçam, sou desta cultura, mas estou encantado por estar no Brasil porque estou em outra cultura. Ser culto é querer mudar a própria cultura. O movimento de globalização, que causa tanto medo, não me assusta por isto. Criamos diferenças, e ser culto é ir em busca da diferença.</p>
<p><strong>Edgard</strong>: Prof. Serres. Uma das, das&#8230; na quinta entrevista em seu livro, o quando senhor fala em “terra global” o senhor usa uma serie de termos, que eu particularmente gosto muito&#8230; O senhor fala da terra global como se ela sendo omatizada, arlequinada, tigrada, zebrada, em rede múltiplas e interligadas. Me parece que esta terra global, quando se pensa no futuro, do século XXI, exigirá ética da tolerância, da solidariedade transnacional.</p>
<p>A pergunta que eu lhe faço é a seguinte: Eu sei que o senhor participou no final dos anos 60, do grupo dos 10. Esse grupo dos 10 no qual fazia parte [nomes em francês, entre eles, Edgar Morin] e outros. Vendo agora 30 anos depois este grupo, como é que o senhor vê estes seus colegas, que no final do anos 60 estavam investindo na reconciliação da parte no todo, estavam investindo contra a fragmentação disciplinar, na convergência da cibernética, da teoria da informação e da ecologia. Como é que o senhor mexe com estas idéias, tendo em vista essa ética do futuro que todos nós devemos nos empenhar.</p>
<p><strong>Serres</strong>: Na realidade, sua pergunta engloba duas. A primeira se refere à cor, ou seja, a própria estrutura desta mistura, e fico feliz por ter lembrado quantas vezes eu disse “tigrada”, “zebrada”, mutante. São todas qualificações que fazem com que, ao misturarmos cores, ou formas, cheguemos a um tipo de marchetaria muito diversa e, talvez, a globalização da qual falamos há pouco, leve a essa marchetaria. Entende?</p>
<p>Não seria, necessariamente, uma cultura que teria uma só cor ou forma, mas uma marchetaria de diferenças bem complexas.</p>
<p>E a segunda pergunta é o que houve com esse grupo que, há cerca de 30 anos, projetava um certo tipo de “interdisciplinaridade”, ou modelo de saber. E responderei, de bom grado, que houve com ele o que ocorre com qualquer outro que, num dado momento, está feliz ou estabelece um paradigma numa certa geração mas que, na geração seguinte, se transforma profundamente. Algumas das idéias que foram abordadas naquela época transformaram-se tanto, que desapareceram. Outras, pelo contrario, fortaleceram-se, e passaram a ocupar o primeiro plano da cena. Se tivéssemos de voltar àquela época, eu diria que, hoje, a situação da ciência é irreconhecível com relação à situação de 30 anos atrás. Por que? Porque o modelo cibernético se apagou um pouco, a idéia de ordem, por meio do barulho, quase desapareceu e, ao contrario, na Biologia, surgiram idéias inovadoras, referentes à complexidade orgânica, ao suicídio celular, uma nova idéia da vida e da morte, e assim por diante.</p>
<p>Portanto, o que deveríamos fazer é criar outro grupo. Alias, estamos juntos aqui, podíamos criar outro, com o qual delinearíamos o modelo da ciência de amanha. Nos enganaríamos tanto quanto nos enganamos há 30 anos, mas faríamos um balanço da situação atual, e é sempre bom fazer isto. Foi o que fizemos.</p>
<p><strong><em>Elvira Lima</em></strong><em>: Prof. O senhor já seleciona nos EUA há 20<sup> </sup>anos. E eu gostaria de voltar nesta questão da mestiçagem.</em></p>
<p><strong>Serres</strong>: 30 anos.</p>
<p><strong><em>Elvira Lima</em></strong><em>: 30 anos. É um país, como o Markun falou, que a gente se volta neste momento todo de globalização, como o modelo dos modelos do primeiro mundo para nós brasileiros. E é um país com uma história também de misturas, de grandes movimentos de migração e tal. </em></p>
<p><em>Que especificidade que há no Brasil nesta mestiçagem em relação a sua experiência nos EUA. Porque que a gente, o Brasil faria um modelo, e os EUA não.</em></p>
<p><strong>Serres</strong>: Tenho vontade de dizer sim. Aliás, a senhora leciona em Nova York e sabe bem, conhece os EUA tão bem quanto eu. Eu diria que, com relação ao Brasil, é um contra-modelo. E que, de certa forma, essa idéia que os EUA difundiram de sua própria imagem, de que são um “melting pot”, é uma idéia falsa porque o que há, sobretudo nos EUA, são comunidades diversas.</p>
<p>Há o bairro chinês, o &#8230; nas cidades, o bairro japonês, o italiano, o polonês, em certos casos. E assim por diante. Portanto, as comunidades são realmente separadas. Estão agrupadas por outros motivos, pelo “American way of life”, um modo de viver, mas não há essa comunidade global que existe no Brasil e que chamei, há pouco, de mestiçagem. Em outras palavras, no Brasil, a mestiçagem é muito forte e poderosa, e bem sucedida. É, talvez, da visita ao Brasil, que nasceu a idéia do livro, dez anos depois. Nos EUA; não há mestiçagem, e é esse o problema.</p>
<p>A solução do Brasil é o problema deles. E acho que há, aqui, para mim, que estou fora dos dois paises, um avanço extraordinário, do ponto de vista social, do Brasil em relação aos EUA. Talvez isto surpreenda os telespectadores, mas, do ponto de vista social, este ponto do qual falamos, o Brasil está muita a frente dos EUA. É uma sociedade muito mais futurista, enquanto os EUA são uma sociedade mais antiga, talvez mais arcaica.</p>
<p><strong><em>Markun</em></strong><em>: Professor, aqui no Brasil, no momento que estamos fazendo esta entrevista &#8211; e imagino que, mesmo que a gente demore um tempo para exibir este programa, a situação não vai mudar, infelizmente. &#8211; Na cidade de São Paulo, como em outras grandes cidades brasileiras, existe um enorme problema relacionado a violência, relacionada até a uma questão geográfica das populações mais pobres que vivem nas periferias, e que acaba parecendo uma cidade em que existe guetos de classe media, ou de classe alta, e o restante da cidade &#8211; e eu fui repórter da cidade durante muitos anos da minha carreira -  são áreas assustadoras, não apenas para aquelas pessoas que visitam ou vão a serviço, mas evidentemente também para as pessoas que ali vivem.</em></p>
<p><em>E recentemente ocorreram rebeliões em estabelecimento ditos de reeducação de menores, em que as condições de vida são absolutamente desumanas&#8230; Então, para digamos jogar um pouco de tinta mais sombria sobre esta sua pintura tão agradável do Brasil e de São Paulo, pergunto ao senhor o seguinte: Em algum trecho de seu livro de entrevistas, o senhor acena com que a possibilidade destas realidades, que não são exclusivas do Brasil evidentemente, acabe sendo o nosso futuro, na medida em que isso vai crescendo numa velocidade tão grande, em que vai haver um dia em que não existam guestos suficientemente resistentes para sobreviver às condições da cidade periférica, mal remunerada, sem condições de lazer, sem condições de educação, etc. A pergunta é isso: Como diante desta realidade que não é exclusividade Brasileira, mas que aqui em São Paulo principalmente assusta, se posicionada um pessoa como você, um homem que tem uma visão otimista do futuro.</em></p>
<p><strong>Serres</strong>: Sou otimista, mas não posso deixar de confessar que o problemas da violência que você descreveu, no caso de São Paulo, por exemplo, é um problema absolutamente universal. Ele existe, hoje, não só nas grandes metrópoles do hemisfério sul, ou até do 3.o mundo, mas, também, nos paises do 1.o mundo do qual você falou. A prova é que nós, na Franca, inventamos a noção do 4.o mundo. O 4.o mundo é a introdução da miséria e da violência dentro daquele que você chamou de 1.o mundo. E&#8230; isto me preocupa muito.</p>
<p>Não tenho nenhuma solução milagrosa para o problema, mas posso dizer o que tento fazer. Eu sou professor. Portanto, penso sempre que as soluções a longo prazo para problemas a longo prazo, são problemas de ensino. Por conseqüência, eu me dediquei muito a questões de ensino para o 4.o mundo. Mas, quando você fala no problema dos guetos, será que as pessoas tem idéia de que o gueto, é gueto, não somente pela miséria, mas porque aqueles que lá moram são tão pobres que não podem sair dele?</p>
<p>Ou seja, no caso deles, não podem comprar a passagem de ônibus, ou metrô, que permita sua saída física do lugar. E, por não poderem sair de seu lugar, são obrigados a permanecer nele, e aí a violência reina. Creio que, no futuro, o problema será universal. Ele existe em todos os países. E uma das soluções, a que preconizo e que me parece a mais importante, é, de fato, a questão da educação. Mas eu gostaria de acrescentar que somos cada vez mais sensíveis às questões de violência, quando nos tocam de perto, individualmente, em nosso bairro e vizinhança. Mas, caro senhor, saiba que os problemas da violência próxima, esses problemas de pequena delinqüência, são problemas menores perto da enorme quantidade de violência referente à globalização? Por exemplo, os problemas da droga, a lavagem de dinheiro, os problemas da máfia, os problemas dos novos poderes, veiculam uma violência muito maior que a pequena violência próxima.</p>
<p>Portanto, somos sensíveis aos pequenos problemas quando o verdadeiro grande problema é o das máfias, da droga, etc. Calculou-se que, entre as pequenas dificuldades, ou as dificuldades das cidades, e os problemas globais que estou mencionando, há uma relação de 2 para 100. O verdadeiro grande problema da violência é global e está aí. E, se ele fosse resolvido, os pequenos também seriam.</p>
<p><em>[Intervalo após 30 minutos de entrevista]</em></p>
<p><strong><em>Markun</em></strong><em>: Voltamos ao Roda Viva que esta noite entrevista o filosofo francês Michel Serres.</em></p>
<p><em>O Edgar tem uma questão em relação a um tema discutido no bloco anterior</em>.</p>
<p><strong>Edgard</strong>: Prof. Serres, gostaria de voltar ao conceito de mestiçagem. Por que no Brasil, as interpretações que falam de um Brasil “mestiço”, geralmente são interpretações conservadoras, que vêem no Brasil uma junção harmônica entre brancos, negros e índios, etc. E no meu entendimento do seu livro “O terceiro instruído”, eu acredito que o seu conceito de mestiçagem envolve uma outra concepção da  idéia, que talvez seja mais válida para o entendimento das altas taxas exclusão vivemos no Brasil de hoje.</p>
<p><strong>Serres</strong>: Agradeço a sua questão porque vai me permitir especificar a minha forma de usar esta palavra. De fato, eu sei que, de maneira geral, essa palavra é considerada de forma pejorativa, ou de forma negativa, e, muitas vezes, é motivo de desprezo público. Foi o que chamou, há pouco, de interpretação conservadora. É por isso que uso a palavra mestiçagem como um conceito filosófico maior. Ou seja, eu o pego na rua, isto é, em seu estado pejorativo, e lhe confiro uma função de modelo. E confiro essa função dentro da cultura.</p>
<p>Não há uma cultura única e fechada em si mesma. É sempre mestiça. Não há uma ciência única e fechada em si mesma. Está sempre relacionada com as ciências externas. Por conseqüência, para mim, a noção de mestiçagem é um modelo concomitante de saber, de cultura, e, do ponto de vista que você citou, para mim, ao contrario, é um modelo quase revolucionário, que mostra um objetivo a ser alcançado. É isso. E fundamento essa análise numa das análises das ciências e da cultura. Agradeço a pergunta, que me permitiu esclarecer o assunto.</p>
<p><strong>Frederic Lito</strong>: Prof., dentro do seu conceito de sociedades mestiçadas e não-mesticadas, como fica a questão dos valores humanos. Utópico não pensar na construção de um código de ética que permite que as culturas diferentes se inter-relacionem de forma mais adequada. Qual o seu pensamento sobre isto?</p>
<p><strong>Serres</strong>: Fico feliz com a pergunta porque, se quando jovem, fiz filosofia, foi só para tentar obter essa resposta. Porque eu tinha uma formação cientifica, era matemático ou físico, e meus professores nos haviam ensinado &#8211; era nosso ambinete na época &#8211; que a ciência só podia fazer o bem à humanidade e que estava a seu serviço. E praticávamos a ciência, com muito entusiasmo, porque tínhamos certeza que era para o bem da Humanidade e que era algo sempre bom. E, de repente, em 1945, explodiu a bomba atômica americana em Hiroshima. E, para a minha geração, foi uma tomada de consciência quase tão forte quanto a que tivemos na 2.a Guerra Mundial. Porque ela atingia o exercício da profissão e, mais ainda, o exercício da nossa razão.</p>
<p>A Física havia matado, positivamente, dezenas de milhares de pessoas. Daí, o problema de consciência. Mas o problema tornou a se repetir varias vezes, em quase todas as ciências. Aconteceu na Química e ocorre hoje, de forma bem aguda, em matéria de biologia e de medicina, em razão das biotecnologias e manipulações genéticas das quais vocês ouviram falar. Por conseqüência, todas as grandes questões humanas, a questão ética, moral, a própria questão de direito. Hoje, em todo lugar, há comissões bioéticas, comissões de ética médica, e, em certos casos, foi preciso até inventar um novo direito. Os direitos de maternidade e paternidade estão totalmente abalados pelas manipulações genéticas. Portanto, as questões de humanismo, ou de valores humanos, tem dois componentes hoje.</p>
<p>O primeiro é tradicional. Tem por fundamento o que de mais antigo existe em nossa tradição intelectual e cultural; mas é também, de repente, extremamente novo, porque todos os problemas em questão,o que é o homem, o individuo, o que é a relação familiar, por que vivemos etc., voltaram a tona por causa das questões e aplicações cientificas. Por conseqüência, uma das verdadeiras soluções para o problema é tentar, na educação, não separar entre nossos estudantes os que conhecem as ciências exatas e os que conhecem as ciências humanas, porque, de um lado, haveria especialistas totalmente sem cultura e, do outro, pessoas cultas, mas totalmente ignorantes, o que traria de volta a barbárie. Mas, ao contrario, inventar uma educação onde estejam casadas, mescladas, complementadas, as ciências exatas e humanas. Acho que é desta forma que se estabelece, hoje, a questão dos valores humanos.<strong> </strong></p>
<p><strong>Daniel Piza</strong>: Esse hiato que existe em ciências humanas e as ciências  exatas, que tem sido todo o seu tema destes anos todos, como ligar com  ele na educação, quando a gente pensa num hiato talvez maior que exista  entre o grau de sofisticação que a ciência chegou hoje e o  desconhecimento cientifico de boa parte das pessoas.<strong> </strong></p>
<p><strong>Serres</strong>: Acho que, para resolver a questão que realmente é muito difícil, já que, como você disse, o nível de sofisticação é muito elevado, uma das formas seria introduzir no estudo das ciências exatas tão somente a sua própria história. Isto para que os estudantes não recebam os resultados, sejam eles teoremas, experiências ou teorias, que não os recebam como verdades caídas do céu, mas entendam que foram inventados em uma certa época, por um certo grupo, em um certo país e ambiente cultural, e assim por diante, mostrando que a ciência é um fenômeno cultural, um fenômeno social que implica conseqüências políticas e, também, um certo progresso das condições sociais, etc.</p>
<p>Por conseqüência, a história das ciências seria, talvez, a disciplina oblíqua, transversal, que permitiria tornar a fronteira entre as duas disciplinas mais porosa e leve, podendo-se passar de uma a outra mais facilmente. Por isso, caro amigo, durante toda a minha vida, fiz história das ciências. É claro que a solução é meio utópica, porque os estudantes de Letras não entendiam ciências, e os de ciências ignoravam totalmente a história. Era uma verdade na geração anterior, mas ainda me parece que, se a educação adotasse procedimentos deste tipo, resolveríamos de vez essa questão.</p>
<p><strong>Daniel Piza</strong>: Não haveria uma utopia de totalização do conhecimento, que parece cada vez mais difícil&#8230;</p>
<p><strong>Serres</strong>: Não há progresso sem utopia. A maioria das grandes descobertas, ou a maioria dos progressos locais que fazemos, vêm, sem dúvida, do sonho de alguém que nos precedeu, como uma espécie de utopia. Acontece que, na tradição filosófica, todos os grandes filósofos globalizaram o saber. Platão o fez, Aristóteles também; Descartes, Leibniz. E, mais próximas a nós, pessoas como Bérgson ou Valéry, na tradição francesa, globalizaram o saber. A Enciclopédia, no sentido do Iluminismo, isto é, no século 18, foi também uma tentativa de globalização do saber. Então, faço parte, embora seja utópico, de tal tradição; e acredito que não se pode fazer filosofia sem ter uma sólida formação enciclopédica. Um filósofo deve empreender esses trabalhos um pouco heróicos e tentar – não se consegue isso todo dia, é claro – mas tentar, em sua vida, trazer algo como uma idéia global do saber. Sim. Acredito nisso, embora seja utópico. É o papel da Filosofia.</p>
<p><strong>Scarlett Marton</strong>: Prof., ao mesmo tempo em que nós ouvimos o senhor falar, e eu ouço com muito interesse, dessa globalização do saber, neste sentido de uma totalidade do saber, eu também leio com muito interesse quando o senhor diz que a invenção é a “vida mestra” da filosofia e da ciência, e a invenção é sempre obra dos mais solitários. Eu fico pensando aqui, como fica&#8230; qual é o lugar que a invenção encontra hoje, se por um lado com a internet, nós temos é claro uma facilidade muito maior de acesso ao conhecimento, mas também corremos o risco da banalização do conhecimento (ou da informação, pelo menos), e por outro lado na universidade, como o senhor bem mostra, quem tem a evidência, ou enfim, quem dirige não é exatamente o mais inventivo, o mais criativo, mas é sim o mais habilidoso com que diz respeito as questões políticas. Então por um lado temos a internet com o risco da banalização, e nas universidades ainda vigora o mandarinato.</p>
<p>Qual seria o lugar então para esta invenção que é a “mola propulsora” do progresso do conhecimento, e mais ainda, do próprio desenvolvimento do homem.</p>
<p><strong>Serres</strong>: Essa pergunta é muito importante hoje. Porque hoje vivemos uma transformação que você descreveu, em parte, muito bem e de forma precisa. De fato, existem hoje, e se confrontando, uma técnica de ensino tradicional, nascida com os gregos no século 6 antes de Cristo, chamada Universidade; e, do outro lado, como você diz, um certa banalização da totalidade da informação. Mas, me parece que, no século 15 ou 16, quando da invenção da impressão, essa pergunta surgiu exatamente da mesma forma. Diziam: “Mas por que?</p>
<p>Temos uma biblioteca. Todos podem ter a sua, com todo tipo de livros. A informação está disponível. Ela será banalizada porque qualquer um poderá ter em casa a sua biblioteca”. A biblioteca da época é a Internet de hoje. Ela é uma biblioteca. E, do outro lado, havia a universidade tradicional, oriunda da Idade Média etc. Houve, portanto, uma espécie de &#8230; que confrontou o ensino tradicional e a nova biblioteca, isto é, o novo suporte de transferências, estocagem e transmissão da informação. E, de repente, nasceram pessoas&#8230; nasceram pessoas que globalizavam o saber. Ou seja, Erasmo, Rabelais. Rabelais é o inventor do termo “Enciclopédia”. Ele não existia antes. Montaigne, que também agia assim; os grandes pensadores, os grandes universalistas do Renascimento. Então, já houve uma oposição na época da impressão, por causa da invenção de um novo suporte de estocagem e transmissão da informação. Vivemos, hoje, exatamente a mesma revolução.</p>
<p>Acabamos de inventar um novo suporte que estoca, transmite, recebe e emite informação a uma velocidade, é claro, incomparável a anterior. E, por outro lado, há a universidade, que tem seus problemas, sérios problemas financeiros, de organização, problemas políticos que você mencionou, etc. Será que hoje nascerão totalizadores do saber exatamente nos mesmo termos colocados há pouco? Eles serão os paralelos, ou equivalentes, a Erasmo, Rabelais ou Montaigne do século 16? Sim, estamos vivendo, com a crise dessa oposição, um novo Renascimento. E este novo Renascimento me parece já estar surgindo, ao menos nas ciências exatas, e me torna um filosofo perfeitamente otimista.</p>
<p><strong>Scarlett</strong>: E neste Renascimento o senhor vê também um renascimento das humanidades?</p>
<p><strong>Serres</strong>: Eu tinha um professor, era um homem admirável, e descrevia a maneira pela qual o homem se levantou. Ele estava de quatro e levantou. E ele nos mostrava, ficando de quatro, mostrava que as duas mãos sustentavam o corpo. E, quando o corpo levantou, dizia ele, as mãos perderam a função de sustentar. “Perderam a função de sustentar, mas adquiriram a função de pegar”. Portanto, a mão apareceu. Mas, antes, quando estávamos de quatro, a boca tinha a função de pegar, já que as mãos estavam ocupadas. Portanto, a boca perdeu a função de pegar, não é? Mas ganhou a função de falar. E, desde que esse professor me explicou tal fenômeno, tornei-me um homem otimista, porque ouço todo mundo dizer: “Perdemos o humanismo”. “Perdemos os valores, perdemos a memória. Os jovens não têm mais memória. Não tem imaginação, por causa das imagens. Não tem possibilidade de fazer cálculos, porque existe a calculadora”. Mas é melhor assim, não é? Porque é justamente quando se perde a função que percebem que perder a sustentação não é nada, já que os pés dão conta; mas, ganhar as mãos, nos tornou uma espécie que pode ser pianista, ou então cirurgião, prestidigitador. As mãos são um órgão extraordinário. Portanto, ganha-se muito mais do que se perde. Perder isto ou aquilo implica ganhar coisas extraordinárias. Porque, de certa forma, até o cérebro perdeu algumas coisas e este livre para inventar. E, enquanto historiador de Ciências, posso testemunhar isso. É porque no Renascimento perdeu-se a memória da erudição que inventaram as ciências experimentais. Porque, ao invés de copiar as ciências em livros, olhava-se apenas a realidade das coisas. Sou otimista por causa disso.</p>
<p><strong>Elvira Lima</strong>: Nesta questão da banalização, em que ela estava colocando, e nessa situação em que nós estamos então de um novo suporte &#8211; quer dizer nós não sabemos exatamente o que vamos perder e o que nós vamos ganhar. O senhor colocou aqui já, duas vezes, acho, nessa a entrevista a questão da educação e no final de sua conferencia outro dia o senhor falou da formação, e disse que o próximo século é um século de formação. Eu gostaria de discutir esta questão com relação com que ela acabou de dizer, do novo suporte, e&#8230; Como é que o senhor vê esta questão?</p>
<p><strong>Serres</strong>: Acho que quando digo que o próximo século e o próximo milênio, já que as datas irão coincidir, será o século da formação, não o digo como uma idéia filosófica, ou uma utopia. Vejo isso experimentalmente. Em meu país, há um centro chamado “Centro de ensino a distancia”. E, nesse Centro, há uma central telefônica. Ora, mundialmente, meu país é considerado razoavelmente bem equipado, em termos de formação.  Mas, quando fui visitar esse centro telefônico, observei que ele recebia 20 mil chamadas ao dia. Significa que, na Franca, há 4 milhoes de pessoas que chamam pelo telefone para serem formadas, ou seja, sem formação. Quatro milhões de pessoas por ano. É um número extraordinário. É certo que, 20 ou 30 anos atrás, não teríamos esse numero. O que mostra que a demanda por formação está crescendo de forma vertiginosa. Baseado em experiências digo que, amanha, a demanda de formação será cada vez maior. Porem, nossas técnicas de formação e ensino são limitadas, como você disse há pouco, por questões de orçamento, de finanças, etc.</p>
<p>Estamos, portanto, num momento muito preciso. O crescimento da formação está cortanto o limite máximo dos meios financeiros. Esse ponto “sem volta” é chamado de crise. E, portanto, estamos aqui numa encruzilhada. Ou mudamos a maneira de educar, ou será uma catástrofe. É isso. E acontece que justamente as novas tecnologias oferecem uma maneira de educação diferente. Portanto, existe a crise e existe a solução para o problema da crise.</p>
<p><strong>Rogério da Costa</strong>: Prof., junto com este problema da formação, e lembrando a distinção que o senhor fez entre a passagem da a impressão e a internet, eu gostaria de saber o seguinte: nós verificamos que hoje há igualmente uma superprodução de conhecimentos.</p>
<p>Ou seja, ou os saberes e os conhecimentos estão em explosão, e reconhecidamente não é apenas a universidade onde se produz o saber e o conhecimento. Toda a sociedade é rica em produção de saberes e de conhecimentos, e passa por aí também o problema da formação. Eu gostaria de saber do senhor o que a educação a distancia pode desempenhar neste momento.</p>
<p><strong>Serres</strong>: Novamente, a sua pergunta engloba duas. Uma se refere a quantidade de informação e sua explosão. E a outra se refere a educação a distancia. Com relação a explosão da informação, a pergunta, a preocupação, a própria angustia que o senhor manifestou, é uma angustia que não é de hoje. Vou citar, de cor, a frase dita por um grande filosofo do século 17, após a invenção da impressão. Ele dizia&#8230; vou citar: “Essa horrível massa de livros que estamos imprimindo ocupará tanto espaço nas bibliotecas, com seu volume, que podemos prever, com certeza, a volta da barbárie em vez do ensino”. Fim da citação.</p>
<p>Por conseqüência, já há 4 séculos, quando da invenção da impressão, houve um pavor total com a explosão da informação, e com razão, porque, de fato, os milhares, ou melhor, as dezenas de milhões de livros que foram impressos, você não leu, nem vocês, e eu, também não. A questão da formação está na filtragem da referida biblioteca. Não tenho a intenção, não tenho planos, nunca me decidi a ler toda a biblioteca dos estabelecimentos onde fui aluno ou professor. Eu nunca teria conseguido. A cultura não é absorver toda a informação, e, sim, filtra-la. E o que é a formação? É a filtragem da informação. Aliás, caro senhor [Markun] o senhor é um filtrador da informação. Seu trabalho é filtrar. E o senhor, que é professor, eu, que também sou, filtramos a informação. Não despejamos toda a carga de informação sobre nossos estudantes, se não os esmagaríamos. A questão da formação é justamente essa. Entendem? Portanto, não me apavoro. Ao contrario, fico feliz por ter a disposição uma quantia enorme de informação. Mas ela é virtual. Assim como a biblioteca da Sorbonne, ou a da USP, são virtuais para mim. Nunca lerei todos os livros. Entendem? A educação a distancia não traz novos problemas com relação a educação tradicional.</p>
<p><strong>Norval Baitello Jr</strong>.: O senhor fala nos filtradores da informação, eu tomei contato agora por conta da entrevista, com o Belíssimo livro do senhor, que foi publicado em português, que chama “A lenda dos anjos”. Eu queria que o senhor falasse um pouco, se os anjos são os filtradores da informação também. Então, os jornalistas são os anjos. Os professores são anjos&#8230;</p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>Markun</em></strong><em>: Por favor, não me transforme jornalistas em anjos. É a última coisa que me faltava&#8230;</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>Norval Baitello Jr</em></strong><em>.: Se é um termo poético e ao mesmo tempo uma nova metáfora da contemporaneidade, como o senhor retrata no seu livro.</em><br />
<strong>Serres</strong>: Fico feliz com a pergunta porque, se eu escrevi “A Lenda dos Anjos”, livro que teve uma eximia tradução para o Português, é porque&#8230; é muito simples. A palavra “anjo”, tanto em português, como em Francês, em inglês, como em alemão, vem do grego “angelos”, que significa mensageiro; aquele que leva a mensagem. Vejamos&#8230; ao nosso redor, quem leva a mensagem? É o câmera quem leva a mensagem. É o engenheiro de som; o apresentador do programa. Os senhores são professores e levam a mensagem. Mas, em nossa sociedade, quem não leva mensagens? O piloto do Boeing leva a mensagem, o carteiro, ao entregar cartas, leva mensagens, estamos numa sociedade de comunicação. E temos de entender esse papel do mensageiro. Quem emite as mensagens, quem as recebe, quem as transporta, quem as interrompe, quem as parasita, quem as intercepta.</p>
<p>E eu lembrei, antes de escrever o livro, que não tínhamos nenhuma teoria filosófica referente a sociedade de informação. E, como todos temos profissões de transportadores e interceptores, pensei: “Mas, afinal, quando na Idade Média os filósofos inventaram a teoria dos anjos, isto é, a “angelologia”, o que tinham em mente”? Eles tinham em mente, meu senhor, a utopia da sociedade da informação. Eles tinham tido a idéia de que podia-se imaginar operadores encarregados justamente de tarefas que só a tecnologia de hoje permitiu realizar. Então, nesse livro, fiz um tipo de curto-circuito entre a angelologia da Idade Média e a teoria moderna de comunicação. E sabem que curtos’circuitos causam muita luz, causam muito fogo. E acho que permitiu esclarecer muito bem duas coisas. Por exemplo, dizem sempre que os anjos são invisíveis. É verdade. Vocês nunca os viram; eu também, não. Mas por que são invisíveis? Eu vou dizer.</p>
<p>Eu estou falando em Francês. Mas, os telespectadores estão ouvindo a mensagem em Português. Há, portanto, entre mim, o emissor da mensagem, e o telespectador, o receptor da mensagem, alguém que trata a mensagem. Onde está ele? Ele não está aqui. O telespectador não o vê. Eu não o vejo. Vocês também não, mas, sem ele, nada seria possível, já que falo em Francês e vocês ouvem em Português. Por conseqüência, é um anjo. E quanto melhor ele faz seu trabalho, menos ele aparece. O tradutor está ausente. Alias, agradeçamos a ele por estar ausente; ele não apareceu ainda. Suponhamos agora que, em vez de traduzir fielmente a minha mensagem, ele diga o contrario. Vamos ficar preocupados. Vamos ficar bravos. Isso pode causar, entre nós, discussões que não teriam acontecido, talvez afrontas, talvez até guerras. Neste momento, ele existe. Ele afirmou sua presença. Eu o vejo. E, quando o vejo, significa que é um anjo mau. Entendem? É isso&#8230; O apresentador de TV sabe melhor do que ninguém. Um professor, também. Por que? Porque o apresentador, quando deve passar a mensagem de outro, precisa sempre escolher. Por que não confessa? Quando o senhor deve transmitir algum discurso, feito na Assembléia Nacional, deixa falar o deputado, ou fala no lugar dele? Há uma escolha jornalística a fazer, e torna-se um hábito. Da mesma forma, quando damos aula, damos a palavra ao poeta que estamos explicando, ou tomamos seu lugar? É sempre um problema delicado. Portanto, a questão dos anjos é muito mais profunda.</p>
<p>Vou contar mais uma historia. Eu estava em Silicon Valley, eu moro lá, e um de meus ex-estudantes ficou rico ao inventar uma maquina que permite a conexão entre computadores. Fui visitar a fabrica, ele ficou feliz, eu era seu ex-professor. Então eu disse: “Meu Deus, só vejo querubins na sua fábrica”. Ele me olhou como se eu fosse louco. Porém, se lembrarmos a tradição dos querubins, a palavra “querubim”, que parece hebraica, é uma palavra que os hebreus tomaram dos assírios. E, nos templos da Assíria, não sei se lembram, há uma espécie de animal, um tipo de leão agachado diante do templo, com asas nas costas e o rosto de um ancião de barba. É um animal com três corpos. É um leão. Portanto, é um animal terrestre. Tem asas. Portanto, é um animal que voa. Tem rosto de ancião. Portanto, é um homem que pensa. Então, quando entramos num templo da Assíria, passamos da terra, o leão; para o ar, a águia; e para o pensamento, a sabedoria do ancião. É por meio desse animal com três corpos que podemos nos conectar com um outro mundo. Então, nós, ao conectarmos várias redes entre si, temos de fabricar uma máquina com três corpos. É seu computador, com o seu, com o dela, e temos de fazer um tipo de permutador para poder conecta-los. É um querubim. É o conceito filosófico angelical que corresponde a teoria da comunicação. Meu livro está cheio dessas descobertas, que foram maravilhosas para mim. De repente, eu ressuscitava uma velha teoria filosófica, conferindo uma forma de pensamento inovadora a nossa sociedade de comunicação.</p>
<p><strong>Markun</strong>: Prof., eu tenho certeza que neste momento de trabalho do tradutor, ele está de asas postas, feliz. Mas neste nosso programa, felizmente há um outro tipo de querubim. E para nós que trabalhamos aqui na Cultura são muitos importantes: são aqueles que asseguram os recursos para que esta transmissão seja feita, que são os que acontecem no intervalo entre um bloco e outro. Vamos fazer um rápido intervalo dedicado a estes querubins, e voltamos já já.</p>
<p><em>[Intervalo após 1 hora e 3 minutos de entrevista]</em></p>
<p><strong>Paulo Markun</strong>: Estamos de volta com o Roda Viva. Esta noite, entrevistando o filósofo francês Michel Serres. Você não pode participar do programa fazendo perguntas porque o programa já foi gravado, de modo a permite os subtítulos devidamente traduzidos&#8230; Prof. Serres, no seu livro “Luzes”, que é um livro de 5 entrevistas com Bruno Lartur, que acabada de ser lançado pela editora “Nimaco”, além de outras observações, há um trecho aqui que me remete a questão do meio-ambiente. O senhor diz: “Somos agora os senhores da Terra e do mundo, não há dúvida.</p>
<p>Mas o nosso domínio parece escapar ao nosso domínio. Nós nos apossamos de tudo, mas não temos controle sobre os nossos atos. É como se nossos poderes escapassem aos nossos poderes, cujos projetos parciais bons às vezes e com freqüência conscientes pudessem somar-se de maneira involuntária, ou à nossa rebelia de maneira maléfica. Não dominamos ainda – diz ainda o senhor – o caminho inesperado que vai da calçada local da intenção boa para um possível inferno global”. Então eu queria colocar em questão neste terceiro bloco, justamente este tema. Que é o tema de como&#8230;</p>
<p>O senhor fala também neste livro da questão do mal, e da presença, assim tão freqüente, quanto a destes anjos aos quais o senhor se refere&#8230; Do mal que não tem face, o mal que parece onipresente e todo poderoso. E que do ponto de vista do planeta em que vivemos, pode significar evidentemente o fim da nossa história. Como é que escapamos desta?</p>
<p><strong>Serres</strong>: Creio que, novamente, sua pergunta engloba duas. A 1.a é o problema do mal, como é chamado em Filosofia, e que remete, em boa parte, a questão da violência da qual falamos há pouco. E, de outro lado, uma pergunta um pouco mais precisa, que é a questão do ambiente hoje, já que, de certa forma, há muitas espécies vivas,  animais ou vegetais, em perigo de extinção. E a questão do ambiente esta ficando muito seria, no mundo todo, sobretudo nas grandes cidades, tanto em São Paulo, como em Paris.</p>
<p>Com relação ao ambiente, começarei pela segunda, já que é mais precisa; eu fui muito solicitado, sobre esse assunto, pelo seguinte motivo. Devem ter ouvido falar da reunião da G7. É a famosa reunião de alta cúpula dos paises mais desenvolvidos. Quando houve essa reunião, há quinze anos, no Japão, na época em que Yasuhiro Nakasone era primeiro-ministro, ele teve a ótima idéia de reunir, ao mesmo tempo, juntamente com a cúpula, três representantes das ciências de cada país. Havia um biólogo, um médico e um outro. A Alemanha mandou um jesuíta. O Canadá, um pastor protestante; e a Franca, um filosofo, este seu entrevistado de hoje.</p>
<p>Éramos em 21 pessoas e fizemos perguntas&#8230; referentes a ética da Ciência, ao ambiente, etc. E, no final da primeira reunião, nos reunimos três vezes, em Paris, Berlim e Tóquio, e fracassamos totalmente. Não conseguimos resolver nenhum problema. E por que? Porque percebemos que não podíamos formular as perguntas da mesma forma, pelo fato de um ser japonês, outro, canadense, enfim, de culturas diferentes. Portanto, as questões éticas, sobretudo, mesmo as oriundas da ciência, tiveram o obstáculo da diversidade de cultura. E pensei muito a respeito, desde esse fracasso, já que eu estava lá e o senti de forma dolorosa. E me perguntei se, num dado momento, não nos havíamos enganado de disciplina. Talvez aquelas fossem perguntas de Direito, e não de Ética.</p>
<p>De fato, há um certo direito, já que há o Direito Comercial Internacional, os Direitos Internacionais do Homem. Portanto, o discurso de Direito pode ser intercultural. As questões do ambiente poderiam ser abordadas de acordo com o discurso jurídico. Escrevi um livro chamado “O Contrato Natural”, que foi traduzido para o Português, porque a idéia de contrato é uma idéia compreensível para todos. É intercultural. O japonês pode entender tão bem quanto o brasileiro, ou uma pessoa conhecedora de varias línguas. Tive a idéia de examinar a historia do Direito e percebi que, na medida em que o Direito evoluía, as pessoas que tinham direitos legais não os tinham antes, como os escravos, que não tinham direitos legais e passaram a te-los depois. As crianças não os tinham e, a um dado momento, passaram a te-los. As mulheres, também não, e, depois, passaram a te-los. E foram as ultimas, para vergonha da humanidade. E, enfim, vem os direitos humanos, ou seja, todos ganham direitos legais.</p>
<p>E a pergunta com relação ao ambiente, é que, talvez, os seres vivos devam ter direitos legais. Significa que todas as espécies do planeta assinam com a humanidade um contrato natural, absolutamente paralelo, ao Contrato Social que fundou as democracias.<br />
<strong>Markun</strong>: Quem seriam os representantes das outras espécies? Nós mesmos?<br />
<strong>Serres</strong>: É claro que se trata de uma idéia totalmente filosófica e abstrata. É o caso do Contrato Social, também. Não conhecemos as pessoas que assinaram o tal contrato. Elas nunca existiram. É tão abstrato quanto, mas é a idéia de que pode haver equilíbrio entre os homens e que pode haver&#8230; porque contrato significa parceiros em pé de igualdade. E, alias, quem será o representante?</p>
<p>Tive a felicidade, desde que escrevi esse livro, de ver nos jornais que estavam sendo instaurados processos. De um lado, havia os usuários e, do outro, a reserva de Yellowstone. Houve processos que foram instaurados em que uma das partes não tinha direitos legais, a reserva de Yellowstone, ou a outra reserva, ou, então, outro parque. Portanto, eu&#8230; embora seja uma idéia abstrata, a idéia do Contrato Social também era abstrata e fundou a democracia. Acho que essa idéia, que é uma idéia jurídica, poderia fundar, um dia, um verdadeiro equilíbrio entre a humanidade e o planeta em que vivemos e que exploramos cegamente. E isso vai servir de base para uma idéia&#8230;</p>
<p>No século 17, o filosofo francês chamado Descartes enveredou todo o Ocidente, durante a modernidade, por uma via, em que dizia: “O homem deve se tornar mestre e senhor da natureza”. Ter o dominio sobre ela. No “Contrato Natural”, eu digo: “Temos controle da natureza. É uma certeza. Não há mais duvidas de que o conseguimos. Mas, agora, temos de ter o controle de nosso controle”. Ter o controle, não só da natureza, mas, também, de nosso controle sobre ela. Com relação a sua pergunta sobre o meio ambiente, eu propus, então, uma solução filosófica que teve uma certa repercussão, do ponto de vista jurídico.</p>
<p>Com relação à questão do mal, pergunta fundamental que me fez no inicio, que é como a questão da violência, o senhor disse algo muito profundo e que consiste em dizer que, talvez, desde o principio, o mal exista na humanidade. E era um pouco isso que tinham em mente os teólogos, ao falar do pecado original.</p>
<p>Ou será que o mal é erradicável? Sera que a violência que nos rodeia – e este é o mal essencial – será que a violência pode ser suprimida? E minha resposta é&#8230; infelizmente, provavelmente não. É provável que a violência nunca possa ser erradicada. Mas, o que temos a nossa disposição, é negociar sempre a violência a fim de dirigi-la, canaliza-la e transforma-la. Talvez, se eu não estivesse discursando durante uma hora e meia com vocês, minha violência se voltasse para atos mais baixos. Eu tinha uns amigos com os quais eu jogava futebol e rugby quando garoto e que, quando não jogavam aos domingos, faziam bobagens na semana e eram presos na sexta-feira. É como se a violência deles fosse necessária e precisavam encontrar uma válvula de escape no esporte. Outros a encontram na política; outros, na religião.</p>
<p>Caro amigo, o que é cultura? Já que aqui é a televisão da cultura&#8230; A cultura é a negociação de nossa violência essencial. Ela nos salva da violência. Por muito tempo? Talvez não. Para sempre? Certamente, não. Por enquanto, sim. A cultura é o que nos salva da violência. E nós, homens, inventamos a cultura para não nos matarmos uns aos outros.</p>
<p><strong>Edgard</strong>: Prof. Serres, vou retomar um pouco a este magnífico livro que é o “Contrato Natural”. Eu vejo o Contrato Natural, como um manisfesto, uma Declaração universal dos direitos da Natureza, como o senhor chamou. Na verdade, o senhor falou do contrato, e um contrato parece ser o traço jurídico que determina as relações dos homens na Terra, mas que os afasta da Terra.</p>
<p>E esse contrato natural &#8211; acho temos uma questão importante aí &#8211; é um manifesto contra Descartes. Não somos mais senhores e mestres da natureza. Na verdade há uma mudança – a palavra é gasta, mas&#8230; &#8211; de paradigma. E da questão da dominação, para a simbiose. Homem-natureza, homem-cosmos, etc. Trata-se um problema ético, cientifico, político&#8230;</p>
<p>O livro foi escrito em 1990, se eu estou correto. Hoje, me 1999, como é que o senhor mantém esta mesma posição que devemos ser anti-cartesianos, para nos tornarmos simbióticos planetários, e ver a Terra como mãe?</p>
<p><strong>Serres</strong>: Acho que, se tivesse de rescreve-lo, eu o rescreveria, talvez melhor, porque todos os livros podem ser melhorados. Manteria as mesmas teses; mas, desde que o escrevi, encontrei mais motivos que reafirmam minha tese em vez de critica-la. Por que? Porque aprofundei muito a palavra que mencionou e que me parece uma palavra muito decisiva, “simbiose”.</p>
<p>E a palavra simbiose&#8230; de Biologia, de Bioquímica. E, mais adiante, no estudo do funcionamento dos órgãos, do funcionamento das células, da relação dos elementos entre si, das células entre si, dos vírus, de nosso combate contra micróbios e bactérias, etc. Quanto mais evoluímos nesta ciência, mais percebemos que o reino do ser vivo é um equilíbrio movediço entre o parasitismo e a simbiose. Ou seja, estamos sempre lutando, em busca de um equilíbrio que não possuímos.</p>
<p>De certa forma, o que é a educação? É ensinar alguém a deixar de ser o parasita do outro. Ensinar-lhe a autonomia. Ensinar de uma forma que não tenha de pedir sempre assistência a mãe, ao pai, ao irmão, aos vizinhos. Ele é autônomo e tem de assinar um contrato com o outro. Ele tem de dar, na medida em que recebe; estar em simbiose consigo mesmo. No fundo, um contrato é a tradução jurídica da realidade biológica da simbiose. Quem não está em simbiose é um ser abusivo. Por isso, eu disse “parasita”. Existe um abuso. De uma certa forma, não éramos usuários da natureza. Éramos abusivos em relação a ela. E foi para interromper esse abuso que imaginei essa tradução jurídica da simbiose natural.</p>
<p>E, nove anos depois, aprendi muita Biologia desde então – trabalhei muito nessas questões e percebi até que ponto, por exemplo, a Sra. Margoulis, há três anos, teve o premio Nobel de Biologia sobre a simbiose. Porque ela descobriu que até os monocelulares estavam em  simbiose. Admiro muito a Sra. Margoulis, porque ela disse, em matéria biológica em relação ao minúsculo, o que eu havia tentado dizer em “O Contrato Natural”.</p>
<p><strong>Elvira Lima</strong>: Michel, o senhor publicou recentemente “Diare di monde”, já traduzido no Brasil como “Notícias do mundo”. É&#8230; essa é uma nova forma de pensar o contrato natural, esse livro que leva o leitor a viajar naquilo que você disse que o mundo é a biblioteca do filosófo? Esse livro faz a gente fazer este percurso e onde está a questão da simbiose, parece trazida de maneira bastante poética&#8230;</p>
<p><strong>Serres</strong>: Agradeço a menção a este livro, de que gosto muito, porque ele me permitiu colocar em destaque, as vezes, as vezes&#8230; grandes amigos. Vou ate confessar que há uma heroína neste livro. Um heroína cujo nome é Elvire. E você sabe por que. Tenho uma ótima amiga brasileira com este nome. Escrevi o livro por uma razão especial, que é a seguinte. Na antiguidade, os sábios gregos e latinos, quando eram filósofos, achavam que a Filosofia não era algo abstrato. Não era escrever livros, mas podia-se ate escrever. Não era conhecer as ciências, mas podia-se até conhece-las. Mas era viver. E o verdadeiro filosofo era aquele que vivia bem. Isto é, tinha um boa vida.</p>
<p>É claro, havia divergências quanto a definição de “boa vida”. Cada um achava uma coisa. Eu, simplesmente, quis fazer um livro de vida. O livro, antes de mais nada, é um mergulho&#8230; Primeiro, são narrativas, não são teorias. São narrativas muito simples, quase sempre otimistas – e a repreensão foi grande, pois em geral, a literatura é muito pessimista e sombria. Não&#8230; é, antes de tudo, otimista. E, também, dei um grande papel a paisagem. Acontece que&#8230; Não quero contar minha vida, mas uma de minhas paixões é o mundo exterior. Gosto do mar, da montanha, das margens, dos desertos. Gosto da América do Sul, da Austrália, da Nova Zelândia, ate de meu país, eu gosto do meu país. Gosto de viver fora. Gosto de viver no mar, na montanha, e, por conseqüência, você estava certa, Elvire, quando disse que o Contrato Natural aparece em “Notícias do Mundo”, já que existem paisagens, paisagens de seu país, bem como as do Japão, etc.</p>
<p>Depois, há os protagonistas cuja vida tento mostrar. E como viviam bem, no sentido da boa vida, segundo os filósofos gregos. E, claro, é um livro de moral. Mas os livros de moral não podem ser livros de moral. Eles têm de contar historias. Então é isso. São historias. Eu contei historias e gosto muito de fazer isso.</p>
<p><strong>Scarlett</strong>: Prof., tenho a impressão que são raros os filósofos que tematizam a relação entre vida e reflexão. E o senhor não hesita em momento algum em falar de suas experiências, na Marinha, por exemplo&#8230; Ou falar deste aprendizado do livro com livro do mundo. Como o senhor vê essa relação entre vida e filosofia?</p>
<p>Serres: Bem, eu tentei começar dizendo isso. E dize que somos, muitas vezes, cercados por filósofos cuja vida não é interessante. A filosofia tem de servir para a vida. E, não somente isso, Lea deve transformar, transfigurar, transcender a vida. E&#8230; a felicidade de minha vida foi ter feito Filosofia. E a felicidade da filosofia é nos permitir viver. E da melhor forma possível. E tentei contar assim, de forma simples. Não são grandes romances, nem grandes contos. É apenas o cotidiano de pessoas muito simples que eu conheci. E, para mim, a boa vida&#8230;</p>
<p>Agora há pouco, eu disse ao nosso amigo que um filosofo devia conhecer a Enciclopédia, praticar todas as ciências. É a mesma coisa para a vida, minha senhora. Um filósofo que não conheceu os pobres, os miseráveis, os rejeitados e não conviveu com eles, mas que teria convivido com reis, ministros, os poderosos, porque não? Para eles, são os mesmos. Para um filosofo, é a mesma pessoa. Quer seja miserável, pobre, rejeitado, ou rico, poderoso&#8230; poderoso e miserável é igual.</p>
<p>E ele precisa ter feito três viagens. Três viagens. A viagem por todas as Ciências. A viagem pelo mundo todo, pelas paisagens, Amarecia do Norte, do Sul, Ásia, as ilhas, o mar, a montanha, e a viagem pelo corpo social. São as viagens do filosofo. Ele deve ter trabalhado com agricultores, com operários, ter feito todo tipo de trabalho, ter conhecido as pessoas e a situação real dos pobres, ricos, poderosos, ter sido ele mesmo miserável, ter feito, portanto, uma viagem franca no corpo social, bem como no mundo do saber. Foi o que tentei expressar.</p>
<p><strong>Frederic Lito</strong>: Prof. As suas idéias sobre simbiose são extremamente interessantes, tendo em vista o fato de hoje, através da internet, podermos criar comunidades nossas, comunicando e trocando idéias. Mas em outros lugares nos seus escritos, o senhor fala do trabalho solitário, individual, de suma importância. Como reconciliar estas duas idéias?</p>
<p><strong>Serres</strong>: Eu não as reconcilio. Não se pode reconciliar tudo. E, muitas vezes, entramos em contradição com nossa própria vida, ou teorias. Mas tento reconciliar isso. Por que? Porque está nascendo, eu acho, um novo conceito do universal. O que é universal? Podemos ter do universal o conceito de extensão. Talvez as três viagens das quais falei sejam esta busca do universal. O universal do mundo, dos homens e do saber. Mas&#8230; desculpem-me por bancar o sábio, mas, segundo a Lógica, o individuo é&#8230; o julgamento sobre um individuo é universal. “Sócrates é um homem” é um julgamento universal.</p>
<p>Porque, dentro de um individuo, o universal pode estar presente. Tenho uma grande sorte, ser escritor, ou autor de livros. E é verdade, para escrever, é preciso ter uma vida solitária, implacavelmente solitária. É preciso estar, quase todos os dias, a maior parte do tempo, só. Mas, se você soubesse, quantas pessoas já passaram por meu escritório. Sozinho. Estou sozinho. Mas toda a Historia passou por meu escritório, todas as profissões, todos os paises, todas as línguas, todas as ciências.</p>
<p>Um escritor é um homem que goza da totalidade do real, mas que tenta juntar esta totalidade do real na ponta fina de sua caneta. E, aqui, há uma verdadeira reconciliação do universal, no sentido amplo, e do universal, no sentido individual. Creio que o que hoje é chamado de virtual, o potencial, a imagem virtual&#8230; há muito tempo que nós, escritores, conhecemos isto. Nossos heróis são virtuais, nossos pensamentos, nossos presentes são virtuais. Mas, apesar desta virtualidade, como é imenso o prazer da totalidade do real. Acho que não há contradição entre o entrelaçamento que podemos ter com o mundo e a vida monástica do filosofo.</p>
<p><strong>Daniel Piza</strong>: Eu queria fazer uma provocação: O que fez mais mal as ciências humanas? Foi a hegenomia crescente das ciências exatas e biológicas, que o senhor chama de ciências duras, ou a tentativa neste século XX, das próprias ciências humanas, serem ciências duras?</p>
<p><strong>Serres</strong>: Nem uma coisa, nem outra. O que mais prejudicou as ciências humanas foi o seguinte. Quando se fazem ciências “duras” não se pode resolver tudo. Quero dizer que nenhum cientista lhe dirá o que é a matéria. Ele não pode. Ele sabe o que é um átomo, o que é um elétron, mas não sabe o que é matéria. Por conseqüências, há um certo número de perguntas muito especificas que ele não pode responder.</p>
<p>Um físico é um homem que se faz um certo número de perguntas bem definidas. E, quando são mal definidas, não a chamam mais de Física. Chamam-na de Metafísica. Há um contato&#8230; um contato que talvez seja a afirmação de humildade. Há humildade nas ciências “duras” porque as questões fundamentais&#8230; ficam a cargo dos filósofos e metafísicos.</p>
<p>As ciências humanas não tem metafísica. Resolvem todas as questões humanas, ou tentam resolve-las. Elas não deixaram em outro lugar a resposta äs perguntas fundamentais. Talvez a religião seja sua Metafísica&#8230; talvez. Mas deixemos isto de lado.</p>
<p>Não há Metafísica das ciências humanas, por isso, a maioria delas não é falsificável, como diz Popper. É por isso, talvez, que elas sejam&#8230; talvez, não doentes, mas um pouco cansadas. Não creio que a limitação das Ciências “duras”, ou a proximidade com elas, causaram muito mal, ou então, a pretensão cientifica, etc. mas o problema está em seu próprio interior. A longa historia das ciências “duras” fez com que elas amadurecessem e permitiu que deixassem certas coisas de lado, cientes de que so faziam questões falsificáveis. É o que falta, provavelmente, äs ciências humanas, a noção do falsificável.</p>
<p><strong>Markun</strong>: Prof., o nosso tempo está acabando, mas eu gostaria de pedir se fosse possível, para o senhor sintetizar&#8230; No final deste livro, na quinta entrevista do livro “Luzes”, o senhor insinua, ou estabelece, aqui 3 leis para que a gente consiga operar neste mundo tão complicado, tão cheio de mal, no sentido em que ele seja menos cheio de mal. Imagino que o senhor conhece de memória a essência desta três leis, e queria que o senhor a resumisse nesse final do programa, quais são elas.</p>
<p><strong>Serres</strong>: As três leis que coloquei&#8230;</p>
<p><strong><em>Markun</em></strong><em>: “Não te entregaras a violência; nem contra o individuo; nem contra o estranho e ao próximo, mas também contra a espécie humana”. A segunda seria: “Não te entregarás a violência, mas somente contra o que jaz ou reside na tua vizinhança, mas contra toda a espécie global”. E finalmente, “Não praticarás nenhuma violência em espírito, pois quando se egressa na ciência o espírito supera a consciência”. Em síntese destas três leis, qual é o resumo da historia?</em></p>
<p><strong>Serres</strong>: Eu diria, de bom grado, que a questão da violência é a questão fundamental. E, toda vez que falamos em violência, esta tarde, eu quase interrompi minha resposta pela minha dificuldade em dominar essa questão. Eu disse que podíamos negocia-la e que estava sempre a nossa porta. Portanto, eu diria que o importante, para mim, é o saber, transmitir o saber, sem nunca esquecer a piedade. Se eu tivesse uma ou duas palavras a dizer, antes de encerrar, seria isto. Saber e piedade. Não se pode ter um sem o outro, e vice-versa. Não se pode ter&#8230; O ser humano é um ser que conhece e&#8230; Em Francês, “humano” significa também essa bondade, ou piedade. Em Português, também. É a mesma coisa. Todas as línguas latinas contem essa idéia. E, talvez, eu dissesse isto, o saber e a piedade.</p>
<p><strong>Markun</strong>: Prof. Serres, muito obrigado pela entrevista. Muito obrigado aos nossos entrevistadores. Uma boa semana, e até lá.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danmoser.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danmoser.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danmoser.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danmoser.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/danmoser.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/danmoser.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/danmoser.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/danmoser.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danmoser.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danmoser.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danmoser.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danmoser.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danmoser.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danmoser.wordpress.com/81/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=81&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-like-enabled"></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://danmoser.wordpress.com/2010/11/25/filosofo-michel-serres-no-roda-viva/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/20fe7ff68a7039879eebe1c30ffb224f?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">danmoser</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Porque votar nulo e não votar no PSDB (2)</title>
		<link>http://danmoser.wordpress.com/2010/10/11/porque-votar-nulo-e-nao-votar-no-psdb-2/</link>
		<comments>http://danmoser.wordpress.com/2010/10/11/porque-votar-nulo-e-nao-votar-no-psdb-2/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 11 Oct 2010 20:24:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danmoser</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[eleição 2010]]></category>
		<category><![CDATA[FHC]]></category>
		<category><![CDATA[Incompetência]]></category>
		<category><![CDATA[PSDB]]></category>
		<category><![CDATA[Serra]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danmoser.wordpress.com/?p=74</guid>
		<description><![CDATA[Este texto é uma sequência à outro post. Muita desinformação e mentiras marcam a corrida presidencial no Brasil, entre candidatos e PARTIDOS. A fim de esclarecer alguns destes pontos, apresento material para referência. PSDB e Corrupção. Pode-se aprender com o erro dos outros? Para alguns, aparentemente não&#8230; Mensalão e Caixa 2 no PSDB (com aliados)! [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=74&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este texto é uma sequência à outro <a href="http://danmoser.wordpress.com/2010/10/06/porque-votar-nulo-e-nao-votar-no-psdb/">post</a>.</p>
<p>Muita desinformação e mentiras marcam a corrida presidencial no Brasil, entre candidatos e PARTIDOS. A fim de esclarecer alguns destes pontos, apresento material para referência.</p>
<p><em><strong>PSDB e Corrupção</strong></em>. Pode-se aprender com o erro dos outros? Para alguns, aparentemente não&#8230; Mensalão e Caixa 2 no PSDB (com aliados)!</p>
<ul>
<li><strong>Caixa 2</strong> &#8211; O governo tucano no Rio Grande do Sul foi campeão de escândalos com a <em>Yeda Crusius</em>: Caixa 2 na campanha de 2006, fraude de R$ 44 milhões no Detran gaúcho e improbidade administrativa! <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,veja-a-cronologia-do-caso-yeda-crusius-no-rio-grande-do-sul,369726,0.htm">Link 1</a></li>
</ul>
<ul>
<li><strong>Mensalão </strong>- O candidato a Vice-Presidente de Serra [ <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u668987.shtml">Link 2</a> ] foi beneficiário do mensalão no Distrito Federal em 2009 [ <a href="http://www.youtube.com/watch?v=fyMBQKkzCPM&amp;feature=related">Link 3</a> ].  (I)Moral da história: Vote em um careca (do mensalão) e leve dois! [ <a href="http://www.youtube.com/watch?v=CRVBdRYgILg&amp;feature=related">Link 4</a> - IMPERDÍVEL ]</li>
</ul>
<p><em><strong>Boataria</strong></em> como estratégia política? De onde vem as mensagens, ninguém sabe, mas com qual objetivo, todos percebem!<em></em></p>
<ul>
<li>O deputado eleito Gabriel Chalita fala sobre a onda de boatos e mentiras contra o PT e Dilma: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=xS2pv2z8BP4&amp;feature=player_embedded#!">Link 5</a></li>
</ul>
<p>E agora, de uma vez por todas: O Lula nem de longe seguiu a <em><strong>política ecônomica do FHC</strong></em>!</p>
<ul>
<li>Veja só o comparativo de Lula e Serra na crise do ano passado (2009) [ <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Ig9pE6qwzxw&amp;feature=related">Link 6</a> ].</li>
<li>Depoimento do Ciro Gomes, Ministro FHC e Ministro Lula [ <a href="http://www.youtube.com/watch?v=wZ8DTdVJ-1k&amp;feature=autoshare">Link 7</a> ].</li>
</ul>
<p>Moral da história: Brasil Afundaria na Crise com o PSDB!</p>
<p><em><strong>Privataria</strong></em><strong><em>: </em></strong>Se você viu o link 7, FHC e Serra (em São Paulo) são os campeões de<em><strong> privatizações-com-pirataria</strong></em>! O PSDB custa a aprender com os erros dos outros. Vejam só o que aconteceu com a Argentina, que durante muito tempo esteve no mesmo nível econômico que nós&#8230; [ <a href="http://www.youtube.com/watch?v=EKoovl5Zljo">Link 8</a> ]. Eestou convicto que este seria o sonho do Serra ao chegar ao planalto.</p>
<p>Por fim, um link FUNDAMENTAL por aqueles que ainda pensam em votar em José Serra: <a href="http://serra2010nao.blog.com/">&#8220;José Serra NÃO &#8211; Por que o tucano não vai ser presidente do Brasil&#8221;  [ Link 9 ].<br />
</a></p>
<p><em><strong>Vamos lá brasileiros. Brasil para TODOS! </strong></em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danmoser.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danmoser.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danmoser.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danmoser.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/danmoser.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/danmoser.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/danmoser.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/danmoser.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danmoser.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danmoser.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danmoser.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danmoser.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danmoser.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danmoser.wordpress.com/74/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=74&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-like-enabled"></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://danmoser.wordpress.com/2010/10/11/porque-votar-nulo-e-nao-votar-no-psdb-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/20fe7ff68a7039879eebe1c30ffb224f?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">danmoser</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Porque votar nulo e não votar no PSDB</title>
		<link>http://danmoser.wordpress.com/2010/10/06/porque-votar-nulo-e-nao-votar-no-psdb/</link>
		<comments>http://danmoser.wordpress.com/2010/10/06/porque-votar-nulo-e-nao-votar-no-psdb/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Oct 2010 05:09:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danmoser</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Alckmin]]></category>
		<category><![CDATA[Corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[eleição]]></category>
		<category><![CDATA[FHC]]></category>
		<category><![CDATA[Incompetência]]></category>
		<category><![CDATA[PSDB]]></category>
		<category><![CDATA[Serra]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danmoser.wordpress.com/?p=58</guid>
		<description><![CDATA[Sou paulistano desde que nasci Nos últimos 16 anos vi o PSDB aqui em meu Estado, com 8 destes anos também na presidência da república. O Resultado: Tragédia!!! A única razão que vejo para este partido ainda ganhar votos expressivos é porque ajudou a manter o &#8216;status quo&#8217; dos ricos. Porque para a população em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=58&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou paulistano desde que nasci <img src='http://s0.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /><br />
Nos últimos 16 anos vi o PSDB aqui em meu Estado, com 8 destes anos também na presidência da república. O Resultado: <em><strong>Tragédia!!!</strong></em></p>
<p>A única razão que vejo para este partido ainda ganhar votos expressivos é porque ajudou a manter o<em> &#8216;status quo&#8217;</em> dos ricos. Porque para a população em geral, pouco ou nada fizeram! Minhas afirmações em 13 (treze!) Links!</p>
<p>A <strong>Educação Pública</strong> no estado de SP é uma LÁSTIMA! Escolas precárias, professores mal remunerados, fraca ou nenhuma diretriz pedagógica&#8230; Reprovação? Inexistente, pois a qualidade é tão boa que não <em>pricisa! </em> (Ops! Desculpe-me: eu também estudei em escola pública paulista!)  <a href="http://danmoser.wordpress.com/2008/07/18/fracassos-no-ensino-em-sao-paulo/">Link 0</a></p>
<p><strong>&#8220;Segurança&#8221; pública</strong></p>
<ul>
<li><em>Toque de Recolher do PCC</em>: Maio de 2006 &#8211; toque de recolher que a facção criminosa impôs à nossa polícia tempos atrás&#8230; Capital e interior do Estado!  <a href="http://www.youtube.com/watch?v=vsRynm18_Eg">Link 1</a></li>
</ul>
<ul>
<li><em>Número e estatísticas no governo PSDB</em>:  <a href="http://incautosdoontem.opsblog.org/2010/09/27/por-que-alguem-iria-querer-que-o-psdb-continuasse-no-governo-de-sao-paulo/">Link 2</a></li>
</ul>
<p><strong>Obras Públicas?</strong> Escola do MALUF!</p>
<ul>
<li><em>Obras do Metrô</em> = buraco do Serra! Ainda hoje tem casa sendo indenizada&#8230; E nenhum metrô no local  <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2007/desabamentonometro/">Link 3</a></li>
</ul>
<ul>
<li> Alguns números, Metrô nas cidades: 369km em Nova York. 220km na Cidade do México. 63,2km em São Paulo&#8230;!!!  <a href="http://incautosdoontem.opsblog.org/2010/09/27/por-que-alguem-iria-querer-que-o-psdb-continuasse-no-governo-de-sao-paulo/">Link 2</a></li>
</ul>
<ul>
<li><em>Rodoanel Paulista</em>: 4 anos para construção de 32km de rodovia do Trecho Oeste (isso mesmo, 4 ANOS!). Trecho sul, mais 8 anos &#8211; mas aí foram expressivos 61 km. Custo? R$ 4,0 bilhões de reais&#8230; Algo como R$ 400.000.000,00 (quatrocentos milhões) por quilômetro &#8211; UMA BARGANHA, ainda mais para quem utiliza, que paga PEDÁGIO! <a href="http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1551145-5605,00-COM+TRECHO+SUL+DO+RODOANEL+PREFEITURA+DE+SP+ESPERA+QUEDA+DE+EM+LENTIDAO.html">Link 4</a></li>
</ul>
<p>Falando em &#8230;<strong> Pedágios</strong>: Aqui a coisa é DESCARADA!</p>
<ul>
<li> &#8220;Estado de São Paulo ganha um pedágio a cada 40 dias&#8221;  <a href="http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Interior/21964/Estado+de+Sao+Paulo+ganha+%26lt%3Bbr%26gt%3Bum+pedagio+a+cada+40+dias"> Link 5</a></li>
</ul>
<ul>
<li>&#8220;São Paulo: campeão dos pedágios no Brasil&#8221;  <a href="http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/sao-paulo-campeao-dos-pedagios-no-brasil/">Link 6</a></li>
</ul>
<ul>
<li> Total arrecadado em 2010 (10 meses) em pedágios SÓ NAS ESTRADAS PAULISTAS: R$ 4,0 bilhões  <a href="http://pedagiometro.com.br">Link 7</a></li>
</ul>
<p><strong>Questões estratégicas</strong></p>
<ul>
<li><em>Economia FHC</em>: Crise do México em 1995, a crise asiática em 1997-98, a crise russa em 1998-99 e, em 2001, a crise argentina (Até a Argentina)!</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Crise do apagão</em>: Você se lembra do Apagão de 2001 e o &#8216;Racionamento de Energia&#8217; até 2002? Pois eu tomei muito banho de caneca, no lugar do chuveiro&#8230;</li>
</ul>
<p><strong>Privatizações</strong><br />
Total de Privatizações FHC: R$ 80 bilhões. Para onde foi o dinheiro? Se você viu, me conte!</p>
<ul>
<li><em>Telefone:</em> Você acha que sua conta de telefone cara? (Assinatura Telefônica = R$ 40,00) Pois saiba que foi o FHC que privatizou&#8230;</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Energia Elétrica</em>: Você acha que sua conta de energia cara? Pois saiba que o foi FHC que privatizou&#8230;</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Bancos</em>: <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1009013-9356,00-LUCRO+DO+BANCO+DO+BRASIL+SOBE+NO+TRIMESTRE.html">Link 8 &#8211; &#8220;Lucro do Banco do Brasil sobe 142% no trimestre (2009)&#8221;</a>. Enquanto isso acontece com o Banco do Brasil, o que o PSDB faz com os Bancos Paulistas? PRIVATIZA. Não só uma, mas DUAS VEZES! Como isso é possível? <a href="http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1864/">Link 9</a></li>
</ul>
<p><strong>Corrupção</strong>?</p>
<ul>
<li> <em>Era FHC</em>:  <a href="http://www.consciencia.net/corrupcao/documentos/fhc-45escandalos.html">Link 10 &#8211; &#8220;45 escândalos que marcaram o governo FHC&#8221; </a></li>
</ul>
<ul>
<li><em>Superfaturamente Rodoanel</em>: Trecho Sul  <a href="http://www.abril.com.br/noticias/brasil/tcu-ve-possivel-superfaturamento-obras-rodoanel-339650.shtml">Link 11</a>, Trecho Oeste  <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u23784.shtml">Link 12</a></li>
</ul>
<p>E algo que me impressiona em todo PSDBista: a aversão que tem ao presidente Lula!<br />
Só pode ser por inveja que os &#8216;letrados&#8217; atacam o &#8216;analfabeto&#8217; &#8211; que chegou onde eles tanto queriam estar e que fez muito melhor do que eles! (Desculpe-me por este parágrafo de desabafo&#8230;) <a href="http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=32819">Link 13</a></p>
<p><em><strong>São só por estes motivos que não votarei em nenhum candidato do PSDB paulista! Precisamos de uma outra alternativa (VERDE!?). Entanto ela não vier, precisamos de qualquer oposição aos políticos que governam para as elites!</strong></em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danmoser.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danmoser.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danmoser.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danmoser.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/danmoser.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/danmoser.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/danmoser.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/danmoser.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danmoser.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danmoser.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danmoser.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danmoser.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danmoser.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danmoser.wordpress.com/58/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=58&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-like-enabled"></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://danmoser.wordpress.com/2010/10/06/porque-votar-nulo-e-nao-votar-no-psdb/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/20fe7ff68a7039879eebe1c30ffb224f?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">danmoser</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A &#8216;crise&#8217; e o sistema econômico</title>
		<link>http://danmoser.wordpress.com/2009/03/19/a-crise-e-o-sistema-economico/</link>
		<comments>http://danmoser.wordpress.com/2009/03/19/a-crise-e-o-sistema-economico/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2009 16:41:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danmoser</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danmoser.wordpress.com/?p=54</guid>
		<description><![CDATA[Estive me perguntando o porquê comprar-se doláres ou títulos americanos como um &#8216;investimento seguro&#8217; se a economia americana é a principal a gerar a atual crise econômica mundial. O governo americano anunciou (18/03/09) que colocará na economia deles mais de US$ 1 trilhão (quase o PIB do Brasil), e sabe-se lá de onde vem esta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=54&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Estive me perguntando o porquê </strong><strong>comprar-se doláres ou títulos americanos como um &#8216;investimento seguro&#8217; se </strong><strong>a economia americana é a principal a gerar a atual crise econômica mundial. O governo americano anunciou (18/03/09) que colocará na economia deles mais de US$ 1 trilhão (quase o PIB do Brasil), e sabe-se lá de onde vem esta quantia! Não há algo errado nisso? Pois não há. Abaixo, apresento algumas considerações que me levaram a esta conclusão.</strong></p>
<p><span id="more-54"></span>Recentemente encontrei um texto de economia que afirma que para um bom investimento considera-se três fatores: segurança, liquidez e rentabilidade. Analizemos porque o mundo todo recorre aos Estados Unidos em tempos difíceis.</p>
<p>Um dos principais fatores, a rentabilidade, está afetada com a crise. Não se sabe em que confiar e, como todas as grandes empresas hoje são multinacionais, economia globalizada, não há um destacado &#8216;porto seguro&#8217; onde aplicar o dinheiro. Então, temos de ver os outros fatores.</p>
<p>Liquidez. Os Estados Unidos é disparada a maior economia do mundo. Ou seja, se você precisar vender seus títulos, vende fácil, pois há muitos compradores. Assim, tudo indica ser o local de maior liquidez para investir. Bingo!</p>
<p>Segurança. Os Estados Unidos é a maior potência militar do mundo. Ou seja, é mais fácil o resto do mundo deixar de existir que o governo do Estados Unidos. Quer maior segurança do que esta para o seu investimento? &#8220;Nós garantimos que seus títulos valerão enquanto existir os Estados Unidos da América&#8221;. Fechado! É aí que eu vou investir.</p>
<p>E assim vai a economia. Para garantir a liquidez (ser a maior economia), é líder mundial em gastos descontrolados, gerando disperdícios e poluição, e sustentando o maior exército do mundo&#8230; Pensamento extremamente egoísta não é mesmo? Mas que há de errado nisso? Não é esta a essência do capitalismo?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danmoser.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danmoser.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danmoser.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danmoser.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/danmoser.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/danmoser.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/danmoser.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/danmoser.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danmoser.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danmoser.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danmoser.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danmoser.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danmoser.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danmoser.wordpress.com/54/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=54&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-like-enabled"></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://danmoser.wordpress.com/2009/03/19/a-crise-e-o-sistema-economico/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/20fe7ff68a7039879eebe1c30ffb224f?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">danmoser</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Eleições &#8211; 2o. turno &#8211; São Paulo</title>
		<link>http://danmoser.wordpress.com/2008/10/07/eleicoes-2o-turno-sao-paulo/</link>
		<comments>http://danmoser.wordpress.com/2008/10/07/eleicoes-2o-turno-sao-paulo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 19:32:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danmoser</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[eleição]]></category>
		<category><![CDATA[Kassab]]></category>
		<category><![CDATA[Marta]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[voto]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danmoser.wordpress.com/?p=39</guid>
		<description><![CDATA[Por algum tempo, relutei em me posicionar publicamente sobre este assunto tão espinhoso, que é a política. E meu espírito estava angustiado. Decidi então apresentar neste espaço algumas das minhas convicções políticas, e a leitura que faço da situação da eleição de prefeito na minha cidade, São Paulo. Prometo que não vou &#8220;vender meu peixe&#8221;. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=39&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por algum tempo, relutei em me posicionar publicamente sobre este assunto tão espinhoso, que é a política. E meu espírito estava angustiado. Decidi então apresentar neste espaço algumas das minhas convicções políticas, e a leitura que faço da situação da eleição de prefeito na minha cidade, São Paulo. Prometo que não vou &#8220;vender meu peixe&#8221;. Apenas sugestiono minha intenção&#8230;</strong></p>
<p><span id="more-39"></span></p>
<p>Caros,<br />
Tentarei ser breve, dado o assunto tratado&#8230; Só peço a atenção para a análise de cinco quadros, e à três perguntas que faço.</p>
<p>O primeiro quadro é sobre a fonte utilizada. Tendenciosa, mas de alguma qualidade.</p>
<div id="attachment_40" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><a href="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/fonte.jpg"><img class="size-medium wp-image-40" title="fonte" src="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/fonte.jpg?w=300&#038;h=75" alt="Folha de São Paulo" width="300" height="75" /></a><p class="wp-caption-text">Folha de São Paulo - dias 04 e 05 de Outubro</p></div>
<p>O segundo, diz respeito a uma parte da história dos candidatos. Pergunta 1: <em>Quão afastados estarão hoje os candidatos de suas posições no passado?</em></p>
<p><a href="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/historic.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-43" title="Histórico de Marta e Kassab" src="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/historic.jpg?w=450&#038;h=868" alt="" width="450" height="868" /></a></p>
<p>Terceiro quadro, um indicativo da cidade hoje. Pergunta 2: <em>Quem mais sofre com as más condições da cidade?</em> Veja, por exemplo, mapa da violência (dos últimos 12 meses).</p>
<p><a href="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/violen.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-44" title="Mapa da Violência em São Paulo" src="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/violen.jpg?w=450&#038;h=272" alt="" width="450" height="272" /></a></p>
<p>Quarto quadro, sobre a percepção da administração pública. Pergunta 3: <em>Estarão o</em><em>s cidadãos paulistanos iludidos, ou realmente só olham para o próprio umbigo?</em></p>
<p><a href="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/transp.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-45" title="Avaliação do transporte público em São Paulo" src="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/transp.jpg?w=450&#038;h=448" alt="" width="450" height="448" /></a></p>
<p>Quinto e último quadro. Resultado da votação no primeiro turno.</p>
<p><a href="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/result.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-46" title="Resultados do primeiro turno de 2008 em São Paulo" src="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/result.jpg?w=450&#038;h=342" alt="" width="450" height="342" /><br />
</a>(Fonte: <a href="http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowEspeciais!destaque.action?destaque.idEspeciais=805" target="_blank">Estadao.com.br</a>)<a href="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/result.jpg"></a></p>
<p>Indo &#8220;direto ao ponto&#8221;, digo que o resultado da eleição no 1o. turno PERIFERIA x CENTRO, é a divergência aproximadamente de POBRES x RICOS. Não nos esqueçamos que estes últimos foram apoiadores do que hoje chamamos de &#8220;malufismo&#8221;.</p>
<p><strong>Eu acredito que quem mais precisa e mais utiliza os serviços públicos seja a população carente, que historicamente mora na periferia de São Paulo. Assim, ao olhar o voto da periferia, vemos quem fêz a diferença para eles.</strong></p>
<p>Isso porque acredito que minha cidade deve ser boa para todos os que nela vivem; e que contribuindo para a integração social, criaremos um ambiente muito melhor em toda a cidade, sem as desigualdades gritantes que vemos nos últimos tempos. Uma administração tem que ser boa para mim, e também para os outros.<br />
<strong><br />
Assim, se você acredita que seu voto não fará diferença para você, lembre-se que ele pode fazer a diferença para milhões de paulistanos.<br />
</strong><br />
Obrigado pela atenção!<br />
<em> Dan Moser</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danmoser.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danmoser.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danmoser.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danmoser.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/danmoser.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/danmoser.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/danmoser.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/danmoser.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danmoser.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danmoser.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danmoser.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danmoser.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danmoser.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danmoser.wordpress.com/39/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=39&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-like-enabled"></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://danmoser.wordpress.com/2008/10/07/eleicoes-2o-turno-sao-paulo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/20fe7ff68a7039879eebe1c30ffb224f?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">danmoser</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/fonte.jpg?w=300" medium="image">
			<media:title type="html">fonte</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/historic.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Histórico de Marta e Kassab</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/violen.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Mapa da Violência em São Paulo</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/transp.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Avaliação do transporte público em São Paulo</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/10/result.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Resultados do primeiro turno de 2008 em São Paulo</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Uma foto que fala por si&#8230;</title>
		<link>http://danmoser.wordpress.com/2008/09/24/uma-foto-que-fala-por-si/</link>
		<comments>http://danmoser.wordpress.com/2008/09/24/uma-foto-que-fala-por-si/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2008 15:23:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danmoser</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritismo]]></category>
		<category><![CDATA[Maximiliano]]></category>
		<category><![CDATA[Memória de vidas passadas]]></category>
		<category><![CDATA[Reencarnação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danmoser.wordpress.com/?p=33</guid>
		<description><![CDATA[Caso de Maximiliano Arellano, publicado na revista Reformador em Setembro de 2006. Nesta foto tirada há poucos meses [setembro 2006], reproduzida por vários jornais da América do Norte e também do Brasil (Brasília, Pernambuco, etc.), aparece o menino mexicano de 6 anos, Maximiliano Arellano, fazendo uma palestra (durou 45 minutos) sobre Osteoporose, na Universidade Autônoma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=33&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caso de Maximiliano Arellano, publicado na revista <strong>Reformador</strong> <em>em Setembro de 2006</em>.</p>
<p><a href="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/09/foto_medicina.jpg"><span id="more-33"></span></a></p>
<p><a href="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/09/foto_medicina.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-34" title="foto_medicina" src="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/09/foto_medicina.jpg?w=450" alt="" /></a></p>
<p>Nesta foto tirada há poucos meses [setembro 2006], reproduzida por vários jornais da América do Norte e também do Brasil (Brasília, Pernambuco, etc.), aparece o menino mexicano de 6 anos, Maximiliano Arellano, fazendo uma palestra (durou 45 minutos) sobre Osteoporose, na Universidade Autônoma do México, para os médicos. Na foto, vê-se o auditório lotado por médicos (de roupa branca) ouvindo atentamente a preleção de Maximiliano.</p>
<p>Como o púlpito era muito alto, ele teve que subir numa cadeira. Sua prematura memória e conhecimento eclodiram aos 2 anos, mas sua mãe, Sra. Alejandra de Noé, além do interesse do filho por ciência médica, esclareceu que ele tem também passatempos de crianças comuns (video game, natação, etc.). Maximiliano já fez palestra até sobre Anatomia Cardiovascular.</p>
<p>Os pais (nenhum deles é médico; ele tem um irmão de 10 meses) estão em entendimento com a diretoria da citada universidade para tentar incluí-lo nos cursos da mesma. O diretor da Faculdade de Medicina, Roberto Camacho, disse que Maximiliano fala de Fisiopatologia com o linguajar de um residente. Esse fato interessa muito aos espíritas, pois idéias inatas são indício de um conhecimento do espírito anterior. Não há como explicar que Maximiliano, de 6 anos, possa fazer palestra para médicos na Universidade, senão admitindo que ele tenha adquirido conhecimento em vidas passadas. Bom que se diga que isto nada tem a ver com genialidade, mas apenas que seu conhecimento anterior está se manifestando precocemente. Se o diretor da Faculdade reconheceu que Maximiliano fala com linguajar de um residente; então seria o mesmo que um residente fazer palestra na Universidade, o que nada teria de estranho. Mas, no caso, quem está palestrando é um menino que revela conhecimento de adulto. Se ele não for estimulado a desenvolver seus conhecimentos, invariavelmente ocorre que quando vier a fase adulta acabará toda a curiosidade, pois o seu conhecimento será o mesmo de um residente de Medicina.</p>
<p>De qualquer forma, fatos como este servem para que vejam os que têm olhos de ver!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danmoser.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danmoser.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danmoser.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danmoser.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/danmoser.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/danmoser.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/danmoser.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/danmoser.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danmoser.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danmoser.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danmoser.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danmoser.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danmoser.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danmoser.wordpress.com/33/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=33&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-like-enabled"></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://danmoser.wordpress.com/2008/09/24/uma-foto-que-fala-por-si/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/20fe7ff68a7039879eebe1c30ffb224f?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">danmoser</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://danmoser.files.wordpress.com/2008/09/foto_medicina.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">foto_medicina</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Mercado de mentiras e seqüestros</title>
		<link>http://danmoser.wordpress.com/2008/09/11/mercado-de-mentiras-e-sequestros/</link>
		<comments>http://danmoser.wordpress.com/2008/09/11/mercado-de-mentiras-e-sequestros/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2008 12:36:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danmoser</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política e Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Contradições do capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Crise]]></category>
		<category><![CDATA[Imposto]]></category>
		<category><![CDATA[Neoliberalismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danmoser.wordpress.com/?p=29</guid>
		<description><![CDATA[O governo americano estatizou as duas maiores financiadoras imobiliárias do país a fim de evitar que elas &#8220;desmoronassem&#8221;. Qual o nome disso? Se fosse na Venezuela, seria estatização, certo? O governo Bush, &#8220;antiestatista&#8221;, termina com a maior intervenção do Estado na economia americana desde a Grande Depressão dos anos 30. Mas os lucros ficaram com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=29&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O governo americano estatizou as duas maiores financiadoras imobiliárias do país a fim de evitar que elas &#8220;desmoronassem&#8221;. Qual o nome disso? Se fosse na Venezuela, seria estatização, certo? O governo Bush, &#8220;antiestatista&#8221;, termina com a maior intervenção do Estado na economia americana desde a Grande Depressão dos anos 30. Mas os lucros ficaram com quem criou a lambança financeira;</strong></p>
<p><span id="more-29"></span>O Governo dos EUA estatizou quase metade do mercado de financiamento imobiliário. Não foi estatização? Hum. O governo americano tem agora 80% das ações preferenciais das duas maiores empresas do ramo, botou para fora seus diretores, nomeou os novos, cancelou os dividendos dos acionistas e, divertidíssimo, as proibiu de fazer lobby no Congresso. Qual o nome disso? Se fosse na Venezuela, seria estatização, certo? Antes de alguns detalhes, porém, algumas conclusões:</p>
<p>1. O governo Bush, &#8220;antiestatista&#8221;, termina com a maior intervenção do Estado na economia americana desde a Grande Depressão dos anos 30. Mas os lucros ficaram com quem criou a lambança financeira;</p>
<p>2. O governo procura evitar mais quebradeiras. Sim, este é um caso de &#8220;risco sistêmico&#8221; &#8211; o risco de a quebra de instituição financeira importante provocar um dominó de falências que prejudica até quem nada tem a ver com o pato. Mas o &#8220;racional&#8221; e &#8220;eficiente&#8221; mercado financeiro oligopolizado (&#8220;muito grande para quebrar&#8221;) tem o monopólio da desculpa esfarrapada &#8220;técnica&#8221;. Merece o privilégio sistêmico de ser socorrido quando ameaça todo o resto da economia, mas não paga por isso nos tempos de bonança. O outro nome dessa desculpa, &#8220;risco sistêmico&#8221;, é seqüestro: se você não pagar o resgate, eu mato todo mundo;</p>
<p>3. O mercadismo critica de boca cheia &#8220;instituições capturadas por grupos de interesse&#8221;, os quais &#8220;politizam a gestão econômica em busca de rendas&#8221;. Vivem a dizer que &#8220;instituições como bancos centrais e agências&#8221; têm de ser &#8220;independentes&#8221; e &#8220;técnicas&#8221;, que o Estado não deve subsidiar empresas etc. Divertido é que, para essa gente, os &#8220;rent seekers&#8221;, os seqüestradores das instituições públicas e devoradores de subsídios e impostos, são sempre os outros &#8211; nunca a finança. E agora? Ah, ah, ah. Mostrem-me um liberal.</p>
<p>O governo americano estatizou as duas maiores financiadoras imobiliárias do país a fim de evitar que elas &#8220;desmoronassem&#8221;, como dizia ontem um ex-diretor do Banco Central americano. Freddie Mac e Fannie Mae, como são apelidadas, têm ou garantem US$ 5,6 trilhões do mercado de dívida imobiliária americano, de US$ 12 trilhões. Se quebrassem, poderia ocorrer um &#8220;tsunami financeiro&#8221;, como dizia na quinta [04/09/08] Bill Gross, diretor do maior gestor de fundos de renda fixa do planeta, o Pimco (US$ 850 bilhões).<br />
Gross pedia ainda que o governo do EUA comprasse papéis imobiliários podres no mercado. Ontem, além de estatizar Freddie &#8220;Fraudy&#8221; Mac e Fannie &#8220;Phony&#8221; Mae, como eram reapelidadas as empresas, o governo anunciou que vai comprar papéis imobiliários. Gross, que tem muitos desses títulos, se dizia ontem &#8220;sorridente&#8221;.<br />
O que fazem Freddie e Fannie? Grosso modo, concedem, compram, e revendem financiamentos imobiliários. Isto é, negociam títulos de investimento que têm como fonte de renda a prestação da cada própria (títulos lastreados em hipotecas, &#8220;mortgage backed securities&#8221;, ou MBS). Os calotes na prestação da casa própria e a perda de valor de tais títulos estão na origem da crise financeira e bancária que jogou areia nas rodas da economia mundial. Se Freddie e Fannie fossem à breca, a economia iria ao brejo.<br />
O que pode acontecer? Quem entende muito disso dizia ontem que pode tanto haver festa no mercado como mais medo. Bancos, fundos, hedge funds, BCs pelo planeta e outros detentores e/ou inventores da complexa dívida imobiliária americana podem respirar um pouco. Por ora, ao menos, o círculo vicioso de desvalorização pode ser atenuado. O fato de o governo ter ordenado que as empreas financiem mais hipotecas pode ajudar a derrubar os juros da prestação, que não caíram com a crise e os cortes do Fed. Mas muita gente acha que a crise não vai parar enquanto os compradores de casas endividados não receberem ajuda direta. Outros lembram que muito banco tinha ações de Freddie e Fannie, que nesta segunda devem valer menos do que pó-de-traque queimado.<br />
Mas o mais importante de tudo é: o governo americano diz e repete que não vai deixar a peteca cair.</p>
<p><em><strong>Vinicius Torres Freire</strong>, Dinheiro da “Folha de São Paulo” no dia 08 de Setembro de 2008.</em></p>
<p>= = =<br />
COMPLEMENTO</p>
<p>Mais uma vez, &#8220;a corda arrebenta para o lado mais fraco&#8221;. Entanto as mega-empresas recebem dinheiro pesado do governo (onde estão os neo-liberalistas para criticar a intervenção do governo neste momento?), o cidadão que não conseguiu pagar a prestação da casa, não recebeu nem um tostão&#8230;<br />
E quem paga o pato? O cidadão &#8220;previdente&#8221;, que honrou em dia seus compromissos financeiros e pagamentos de impostos. Como o texto aponta, empresas deste porte (que oferecem &#8220;risco sistêmico&#8221;) não pagam mais impostos por isso. Que injustiça, não?</p>
<p><em>Por <strong>Dan Moser</strong></em></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/danmoser.wordpress.com/29/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/danmoser.wordpress.com/29/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danmoser.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danmoser.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danmoser.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danmoser.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/danmoser.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/danmoser.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/danmoser.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/danmoser.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danmoser.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danmoser.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danmoser.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danmoser.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danmoser.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danmoser.wordpress.com/29/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=29&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-like-enabled"></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://danmoser.wordpress.com/2008/09/11/mercado-de-mentiras-e-sequestros/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/20fe7ff68a7039879eebe1c30ffb224f?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">danmoser</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>USP pesquisa espiritualidade e saúde</title>
		<link>http://danmoser.wordpress.com/2008/08/12/usp-pesquisa-espiritualidade-e-saude/</link>
		<comments>http://danmoser.wordpress.com/2008/08/12/usp-pesquisa-espiritualidade-e-saude/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 12 Aug 2008 13:09:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danmoser</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Novas ciências]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[religiosidade]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danmoser.wordpress.com/?p=27</guid>
		<description><![CDATA[Curso inédito da Universidade de São Paulo apresenta métodos de pesquisa em espiritualidade e saúde A relação entre espiritualidade e saúde é o tema de uma disciplina de pós-graduação inédita no Brasil. As aulas, que começaram no último dia 4 [de Abril de 2008], acontecem no Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=27&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Curso inédito da Universidade de São Paulo apresenta métodos de pesquisa em espiritualidade e saúde</strong></p>
<p><span id="more-27"></span></p>
<p>A relação entre espiritualidade e saúde é o tema de uma disciplina de pós-graduação inédita no Brasil. As aulas, que começaram no último dia 4 [de Abril de 2008], acontecem no Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Durante o curso, os alunos terão contato com pesquisas envolvendo medicina e vivências espirituais e religiosas, além de aprenderem metodologias para abordar o assunto de forma científica.</p>
<p>Os responsáveis pela disciplina são os professores Francisco Lotufo Neto, do IPq, e Alexander Moreira-Almeida, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Desde 1999, o IPq mantém o Núcleo de Estudos e Problemas Espirituais e Religiosos (NEPER), que se dedica a pesquisas sobre o tema. &#8220;Inicialmente foram oferecidas 25 vagas, mas a procura foi tão grande que<br />
foi preciso aumentar o número de alunos para 36, e mesmo assim várias inscrições foram recusadas por falta de espaço para acomodar mais alunos&#8221;, conta Moreira-Almeida.</p>
<p>O professor acredita que a grande demanda se deve ao fato da população brasileira e mundial ter uma noção de espiritualidade e religiosidade muito forte &#8211; e a área acadêmica de saúde, tradicionalmente, negligenciar o tema. &#8220;Desde o século XIX, a religiosidade ou tem sido encarada de forma negativa, ou evitada como objeto de estudo&#8221;, afirma.</p>
<p>A situação começou a se modificar nos últimos vinte anos, quando instituições de pesquisa da Europa e Estados Unidos começaram a estudar de forma mais rigorosa os vínculos entre saúde e espiritualidade. &#8220;O tema é considerado de grande importância pela população e pelos pacientes&#8221;, destaca o professor. &#8220;Surgiram pesquisas sobre a espiritualidade dos pacientes e a influência da religião no modo com que encaram as doenças, além de estudos relacionando um maior envolvimento em práticas religiosas com redução do uso de drogas, depressão e casos de suicídio&#8221;.</p>
<p><strong>Metodologia</strong><br />
O professor observa que, no Brasil, há muitos pesquisadores interessados em investigar o assunto, mas não conseguem encontrar orientação. &#8220;O curso pretende suprir esse déficit apresentando os métodos para a realização de pesquisas de qualidade em espiritualidade e saúde&#8221;. As aulas acontecem até o dia 6 de junho.</p>
<p>O curso do IPq é baseado na metodologia utilizada pela Duke University, dos Estados Unidos, cujo Centro de Espiritualidade e Saúde é considerado referência no trabalho de pesquisa. &#8220;Os alunos terão contato com aquilo que já foi estudado e a metodologia para pesquisas científicas&#8221;, descreve Moreira-Almeida, que fez pós-doutoramento na instituição norte-americana.</p>
<p>&#8220;Por ser uma área de fronteira em pesquisa, não basta apenas copiar os métodos utilizados em outros campos da medicina, sendo preciso definir qual é a abordagem científica para analisar as relações entre saúde e vivência espiritual&#8221;, explica o professor.</p>
<p>No final do curso, cada aluno irá elaborar um projeto de pesquisa em espiritualidade e saúde, que será discutido em sala de aula.</p>
<p>Para Moreira-Almeida, o grande desafio do curso é abrir caminhos em uma área que ainda é cercada de opiniões pré-formadas. &#8220;Poucos estudam o tema, mas muitos têm uma opinião já pronta&#8221;, aponta. &#8220;E esses pontos de vista são extremados, pois vão da credulidade ingênua até o ceticismo dogmático&#8221;.</p>
<p>Com os alunos, os professores pretendem seguir um caminho intermediário e proporcionar uma grande abertura para a investigação de fenômenos pouco compreendidos, como transe e possessão, experiência de quase-morte, relatos de cura em contextos religiosos e espirituais, relação entre freqüência a serviços religiosos e melhora de depressão, entre outros. &#8220;Todos os aspectos envolvidos, características, causas e conseqüências, serão estudados, agregando-se o rigor científico&#8221;, conclui Alexander.</p>
<p>No ano passado, a equipe do NEPER ajudou a organizar um suplemento especial da Revista de Psiquiatria Clínica do IPq, com artigos sobre questões relacionadas a medicina e espiritualidade. O suplemento pode ser acessado na página <a href="http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol34/s1/index.html" target="_blank">http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol34/s1/index.html</a> .</p>
<p><em><span class="createdby"> Júlio Bernardes / Agência USP de Notícias<br />
Em 12 de Agosto de 2008 neste <a href="http://www4.usp.br/index.php/saude/52-saude/325-ipq-une-espiritualidade-e-saude-em-disciplina-de-pos" target="_blank">link</a></span></em></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/danmoser.wordpress.com/27/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/danmoser.wordpress.com/27/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danmoser.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danmoser.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danmoser.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danmoser.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/danmoser.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/danmoser.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/danmoser.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/danmoser.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danmoser.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danmoser.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danmoser.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danmoser.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danmoser.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danmoser.wordpress.com/27/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danmoser.wordpress.com&amp;blog=4027787&amp;post=27&amp;subd=danmoser&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" /><div class="sharedaddy sd-like-enabled"></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://danmoser.wordpress.com/2008/08/12/usp-pesquisa-espiritualidade-e-saude/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/20fe7ff68a7039879eebe1c30ffb224f?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">danmoser</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
